SOLTANDO A LÍNGUA

Sto. André forma turma de haitianos em português para estrangeiros.

A noite de ontem (13/10) foi especial para 135 haitianos da turma do curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para estrangeiros do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), oferecido em Santo André.

O Teatro Municipal foi palco da cerimônia de formatura dos imigrantes, que entre os meses de julho a outubro acompanharam as aulas ministradas na EE Professor Adamastor de Carvalho, na Vila Metalúrgica. Quase todo haitiano é bilíngue: tem como idioma local o crioulo e oficialmente utiliza o Francês.

Em 2010, o Haiti sofreu terremoto de grande escala que matou mais de 300 mil pessoas. Desde então, cerca de 21 mil estrangeiros entraram legalmente no Brasil como refugiados. Segundo a Secretaria de Inclusão e Assistência Social, Santo André é a terceira cidade do Brasil com o maior número de haitianos – são 700.

Molorce Leonard, 32 anos, está há três meses em solo brasileiro e atua no setor da construção civil. Ele confessa que aprender o Português foi “um pouco difícil”, mas que agora, “está uma beleza.”

Já sua mulher, Marie Antonine, 39, contou que aprendeu o idioma com facilidade. “Tudo na vida depende da vontade e de estudar.” Sabendo agora como se comunicar, ela acredita que será mais fácil encontrar um emprego. “No Haiti, trabalhei como enfermeira e também sou cuidadora de idosos. Estou um pouco triste por não estar trabalhando e espero que agora consiga encontrar um serviço na minha área.”

De acordo com a Pasta de Inclusão e Assistência Social, todos estão cadastrados na Central de Trabalho e Renda do município.

A formação dos haitianos não para por aí. A prefeita em exercício, Oswana Fameli, disse que a UFABC (Universidade Federal do ABC) ofertou curso de capacitação para 20 pessoas, que atuarão como agentes multiplicadores dos conhecimentos. “Será um curso mais especifico de conteúdo e eles reproduzirão aos demais. Acredito que deve ter início nos próximos 20 dias. Inserindo-os no nosso convívio, fazemos com que se sintam em casa e damos a oportunidade para que contribuam com o crescimento da nossa cidade.”

(Diário do Grande ABC – 14/10/2014)



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