SENSACIONALISMO REQUENTADO

Em vez de investigar e informar, publicação falida repete as fórmulas vazias do jornalismo decadente.

Já foi o tempo em que o Jornal do Brasil era considerado um exemplo de ética jornalística e vanguarda social e política. Hoje, parece que a publicação prefere seguir a correnteza do conformismo e ampliar a voz dos arcaísmo.

Em sua edição de 18 de outubro, o JB não informa, mas apenas repete os mesmos clichês veiculados pela mídia sensacionalista.

“Todos os dias cerca de 50 imigrantes atravessam as fronteiras do Acre, em Assis Brasil, pela estrada do Pacífico, distante 330 km da capital Rio Branco. Além dos haitianos, chegam ao estado também os senegaleses, vindos da África Ocidental. O continente foi onde começou a maior epidemia mundial da atualidade, a contaminação pelo vírus ebola. Sabendo dessa situação, os acreanos começam a se preocupar com a facilidade de entrada dos africanos no estado”.

Pela voz de supostos entrevistados, o jornal adere às teses de que é preciso controlar a entrada dos africanos em território nacional. Também não deixa de reproduzir o discurso irresponsável do governador do Acre – segundo qual haveria casos de ebola no Senegal.

Ora, conforme já foi amplamente divulgado, não houve nenhum caso de contaminação de ebola no Senegal. Houve a entrada de um cidadão senegalês contaminado, vendo de Guiné e que logo foi tratado e teve alta. A OMS indica que o Senegal está prestes a ser considerado zona livre de ebola por não registrar nenhum caso em 42 dias.

Mas, o jornal insiste na hipótese de entrada de senegaleses infectados e na necessidade de controlar mais a entrada de imigrantes pelo Acre.

Sem novidade

No dia 19, o JB volta a adotar o tom alarmista ao informar no título de sua matéria requentada que refugiados e imigrantes ‘ilegais’ (sic) elevam o risco de entrada de ebola no país.

Não há novidade nenhuma no texto publicado, apenas ‘recordações’ acríticas do episódio do paciente guineano.

Destaca, todavia, o perigo que a entrada de imigrantes ‘ilegais’ representaria para a saúde pública no Brasil. Alerta sobre a presença de 79 pessoas da Guiné, 45 de Serra Leoa e 66 da Libéria.

Conforme já analisamos, a pior política a ser adotada seria, justamente, a de dificultar a entrada dos imigrantes pelas fronteiras formais e empurrá-los a usar caminhos sem nenhum tipo de controle, o que impediria qualquer tipo de acompanhamento de eventuais casos de contaminação de fato.

(oestrangeiro.org)



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