EXERCITANDO A DEMOCRACIA

Legislativo de Chapecó e entidades sociais discutem situação de estrangeiros na cidade.

A Câmara de Vereadores de Chapecó (SC) realizou terça-feira passada (21), Reunião de Trabalho para discutir como se dá o ingresso de haitianos e senegaleses no mercado de trabalho na região e como vivem.

O Legislativo atendeu requerimento do Vereador Diego Alves que procurou esclarecer algumas situações que passaram a gerar preocupação a população local e ao mesmo tempo garantir aos estrangeiros os seus direitos em saúde, educação , conhecimento da legislação e outras situações comuns aos brasileiros.

Sindicatos, entidades patronais, Município, Ministério Público, Polícia Federal, Ministério do Trabalho, Movimento Negro, agroindústrias e universidades foram convidados para o evento

Diego Alves destacou que foi abordado em torno da situação destas pessoas no Brasil e optou para reunião para discutir e levantar a situações destes estrangeiros.

A Secretária de Educação Astrit Tozzo destacou que a pasta tem recebido essas pessoas de forma democrática e humana, não restando qualquer problema em face da cultura a língua.

Já a Secretaria de Saúde Cleidenara Weirich destacou que o tratamento é igualitário, sem restrições, observando as questões de saúde daqueles países. Todos estão recebendo o cartão nacional do SUS.

Sandra Bordignon da Comissão Pró-haitianos UFFS, comentou que a necessidade chegou a universidade através dos próprios haitianos, muitos cursando naquela instituição. A demanda maior é de idioma.

O Delegado da Polícia Federal Alexandre de Andrade Silva, revelou que 1.600 haitianos e senegaleses residem em Chapecó, sendo 98% haitianos. Destas 374 estão com pedidos refugio deferidos e existem 1.665 pedidos na região. Em média a Delegacia de PF em Chapecó atende em torno de 40 estrangeiros/dia. Oito senegaleses estão legais em Chapecó e 205 aguardam decisão. Não há informações de envolvimento destes estrangeiros em ocorrências policiais.

O Procurador da Republica Renato Gomes, comentou que o Ministério Publico Federal, junto com outros organismos no Estado e Município, estão desenvolvendo esquema de suporte a estes estrangeiros no Brasil, como forma de auxilio. Relatou a responsabilidade de cada organismo sobre trabalho e presença no país.

– Ao conceder refugio o país tem que dar garantias. – disse o Procurador Gomes.

Ele ainda admite que o governo federal não colabora com a carga necessária de estrutura, embora permita a entrada de estrangeiros.

O Vereador João Maria Marques Rosa avalia que as agroindústrias não discriminam e pagam a estes trabalhadores de forma igualitária. Observou a preocupação com doenças, sendo uma necessidade esclarecer para informar a população local. Propôs ações para brasileiros e estrangeiros conhecerem os costumes uns dos outros.

Mario Tomasi disse ser também descendentes de imigrantes, sendo necessário troca de informações para que possa haver aproximação maior. Cobrou da União apoio financeiro para municípios que assumem o ônus dessa política de governo.

Paulo Magro da BRF, mostrou que a empresa trata a contratação de estrangeiros como inclusão social. Pelo menos 5% do quadro da BRF é de estrangeiros, sendo 185 haitianos, 85 senegaleses e quatro paraguaios. Observa que o nível de falta ao trabalho dos estrangeiros é de 1.46 contra 3.51 dos brasileiros. A rotatividade de mão de obra estrangeira é 5% menor.

Nelson Rossi,mostrou que na Aurora são 23.330 funcionários, sendo 5.800 em Chapecó e que busca em outros municípios 1.066 trabalhadores. No total em Chapecó na Aurora são 481 estrangeiros. Cobrou que o Governo poderia fazer mais, até mesmo diminuindo a carga sobre as empresas.

Diego Alves avaliou como positiva a Reunião de Trabalho e frisou que o objetivo foi discutir a estada dos estrangeiros no país, com garantias e direitos. Para ele é importante que essa discussão continue pois existe ainda muito a avançar nos dois lados.

Aline Dosso

(Tudo Sobre Chapecó – 21/10/2014)



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