MAMÃES ÁFRICA

Oportunidades de trabalho atrai mães estrangeiras a São Paulo.

Com a consolidação do Brasil como um novo destino de imigrantes de países da América Latina e África, São Paulo tem recebido cada vez mais famílias que buscam se reestabelecer.

Na segunda-feira, 06, a angolana Estela Caninda, de 38 anos, chegou a cidade com os três filhos, de 8 e 5 anos e um bebê de 11 meses. Sem conseguir emprego em seu país há cinco anos e sem o apoio financeiro do pai das crianças, ela decidiu que ia recomeçar a vida no Brasil.

“Lá, era só eu e eles. Aqui também vai ser assim. A diferença é que, no Brasil, tem mais oportunidade de emprego, meus filhos vão poder estudar. Na Angola só tem pobreza”, disse Estela, que espera conseguir um emprego como cozinheira, já que fez um curso de gastronomia.

A vinda das famílias pode ser atestada pela maior presença de crianças estrangeiras nas escolas públicas. Na rede estadual, o número de alunos imigrantes cresceu 12,6% em dois anos. O número de estudantes haitianos é o que mais cresce na rede estadual: aumentou 13 vezes. Hoje são 127 alunos – em 2013, eram apenas 9. A rede municipal também está recebendo mais estudantes do Haiti: no ano passado havia 29 alunos e, neste ano, 64.

O haitiano Yves Montias, de 45 anos, chegou ao Brasil há cinco anos e, só depois de ter conseguido um emprego, como pedreiro, é que trouxe sua mulher.
Aqui, Franciane Charles Montias, teve as duas filhas, hoje, com 3 e 1 ano.

“A vida aqui no Brasil não é fácil, mas é melhor do que no Haiti. O aluguel é muito caro, a comida, luz, água, tudo é muito caro. Mas pelo menos tenho um emprego”, disse Montias, que sai às 5h de casa e só volta às 21h.

Creche

Para as mães que vivem sozinhas no Brasil a situação é ainda mais difícil. Elas dizem não conseguir vaga em creche para os filhos e, assim, não podem trabalhar. É o caso da haitiana Fakanette Polynice, de 29 anos, que teve que pedir demissão do emprego de faxineira de uma empresa há dois meses, após o fim de sua licença maternidade, por não ter com quem deixar o filho de oito meses. “Agora, só tenho Deus para me ajudar. Não sei como vou pagar o aluguel nas próximas semanas e nem como vou comprar comida”, contou Fakanette, que no Haiti trabalhava como enfermeira.

Em nota, a Prefeitura informou que as famílias de estrangeiros, assim como as brasileiras, precisam procurar a creche mais perto de sua casa para fazer a inscrição da criança e sair de lá com um protocolo para acompanhar quando a criança conseguirá a vaga.

No entanto, atualmente, a Prefeitura tem uma lista de 124.741 crianças em espera por uma vaga. A Prefeitura informou ainda que está construindo creches e firmando novas parcerias com entidades sem fins lucrativos para não deixar nenhuma criança sem vaga.

Isabela Palhares

(A Tarde – 08/08/2015)



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