DESEJO E REALIDADE

O Brasil é o segundo país mais desafiador para expatriados. Especialistas recomendam maior abertura.

Pesquisa do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getulio Vargas, indica uma abertura do Brasil para profissionais estrangeiros qualificados, informou o coordenador da unidade, Marcelo Neri, ex-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

A sugestão aproveita o tema mundial, que é a imigração para a Europa, destacou Neri. Segundo ele, o Brasil fez uma abertura na balança comercial, mas falta uma na conta de pessoas. “Trazer gente de fora”. A pesquisa do CPS-FGV revela que o Brasil é um dos países mais fechados para pessoas do mundo, com apenas 0,3% da população de imigrantes de primeira geração, contra 3% no mundo e 15% nos Estados Unidos.

A América Latina, que, conforme Marcelo Neri, é o continente mais fechado do mundo, tem 1,3% de imigrantes na população. “O Brasil é menos de um quarto da América Latina. Nos anos 1900, o Brasil chegou a ter 7,3% da população de imigrantes de primeira geração. Isso se reflete em nossa baixa produtividade e baixo crescimento,”

Consulta do CPS mostra que a imagem de Brasil fechado a novos talentos externos não tem correspondência na percepção das pessoas, uma vez que 73,7% da população são favoráveis à vinda de estrangeiros de alta qualificação e 70,8% acreditam que novos talentos amplia a produtividade, “que é o nosso grande gargalo para o crescimento”. De acordo com os dados, 84,2% dos brasileiros aceitariam trabalhar com imigrantes.

Para o coordenador, a imigração seria um atalho para acelerar o crescimento, porque a educação demora muito tempo. “É um investimento de maior retorno, só que é de longa duração. A imigração, além de trazer gente qualificada em curto espaço de tempo, ajuda a trazer ideias novas para o país e aumentar a produtividade.” Acrescentou que, do lado empresarial, a atividade é historicamente maior quando envolve imigrantes porque, em geral, eles são empreendedores.

Neri destacou a baixa mobilidade de estudantes no Brasil como reflexo da reduzida abertura. Na Austrália, de cada mil residentes 13 estudam no exterior. No Brasil, o índice é de apenas 0,2 estudantes em cada mil. “É uma desproporção completa. O Brasil precisa de uma melhor política educacional superior para poder gerar crescimento econômico.”

O coordenador da FGV lembrou a mudança de relação entre diploma superior e ganho de renda. “A visão anterior era que, a cada ano de estudo superior, o brasileiro ganhava 21% a mais de renda. Nos últimos anos, caiu muito, por causa do movimento de redução de desigualdades. O prêmio de educação caiu 30% nos últimos dez anos.”

País difícil

O Brasil é o segundo país mais desafiador para expatriados, atrás apenas da China, segundo pesquisa feita pela Brookfield com 143 multinacionais.

O polonês Paul Malicki, 27, vive em São Paulo desde dezembro de 2013, trabalhando na Easy Taxi. Ele diz que o Brasil é seu oitavo país de residência, em uma lista que vai de Holanda a Filipinas, e o de mais difícil adaptação.

“As pessoas aqui se interessam muito por estrangeiros, mas é superficial, não é uma relação de longo prazo. O Brasil não é um país muito globalizado, tem seus próprios problemas… É como se ele não precisasse de você.”

Idioma, burocracia e custo de vida são outros desafios práticos que complicam a vida dos expatriados.

Um dos serviços que mais encarecem a estadia em São Paulo são as escolas internacionais, diz Klaus Duailibi, diretor comercial da Target, empresa especializada na adaptação de estrangeiros ao Brasil. A americana Graded, cujas aulas são em inglês e ano letivo segue o calendário do hemisfério norte, custa quase R$ 7.000 por mês.

Apesar dessas questões, o argentino Axel Labourt, engenheiro da Dow, diz que se adaptou bem. Seu primeiro filho nasceu aqui, em 2010, após três anos de expatriação e, quando teve a chance de retornar para Buenos Aires em 2014, ele preferiu o Brasil.

A alemã Mareike Laessle, 34, funcionária da Bayer, está há dois anos no Brasil e deve ficar aqui por pelo menos mais dois. Grávida, ela escolheu ter o filho aqui, que deve nascer em setembro.

Com exceção do trânsito e da segurança, Laessle diz gostar muito de morar em São Paulo. “Na semana passada eu estava na praia. Em que lugar do mundo a gente pode falar que foi pra praia no inverno?”

Apesar dessas questões, o argentino Axel Labourt, engenheiro da Dow, diz que se adaptou bem. Seu primeiro filho nasceu aqui, em 2010, após três anos de expatriação e, quando teve a chance de retornar para Buenos Aires em 2014, ele preferiu o Brasil.

A alemã Mareike Laessle, 34, funcionária da Bayer, está há dois anos no Brasil e deve ficar aqui por pelo menos mais dois. Grávida, ela escolheu ter o filho aqui, que deve nascer em setembro.

Com exceção do trânsito e da segurança, Laessle diz gostar muito de morar em São Paulo. “Na semana passada eu estava na praia. Em que lugar do mundo a gente pode falar que foi pra praia no inverno?”

(Redação + Agências)



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