CULTURA TAMBÉM É LUTA

Bar vira reduto cultural de haitianos e africanos em Cuiabá.

Sonhar. Essa é a palavra que motiva a vida de muitos haitianos e africanos que deixaram os seus países e vieram para o Brasil na tentativa de mudar de vida.

Há três meses, esse sonho se tornou realidade para Andy Darius, de 26 anos, natural de Porto Príncipe, capital do Haiti, e para Wnivaldo Aine, de 29 anos, natural da Guiné, na África.

Eles moram em Cuiabá há mais de cinco anos e abriram o bar Reveurs, no bairro Planalto, que reúne mais de 300 imigrantes nos finais de semana para reviver sua cultura e matar a saudade de casa.

Em francês, reveurs significa “sonhadores”, termo que, conforme Andy, retrata bem a vida dos haitianos no Brasil.

“Colocamos esse nome por conta da mensagem que passa. Nós somos sonhadores e nunca deixaremos ser. Eu e Wnivaldo conseguimos realizar os nossos sonhos e, com certeza, nossos irmãos também vão”, disse Andy, em entrevista ao MidiaNews.

Conforme Andy, o bar é aberto de sexta-feira a domingo, das 18h às 6h. No sábado, é servida uma sopa haitiana que, segundo ele, é “a melhor do mundo”.

“Nem os brasileiros resistem. Muitos vêm aqui para comer”, revelou Andy sobre a iguaria, cuja receita leva legumes, carne vermelha e frango.

Além da comida e bebida, um DJ toca as melhores músicas de seus países.

“Abrimos o bar por causa da nossa cultura, porque aqui no Brasil a cultura é diferente da nossa. Então, antes, quando chegávamos no bar do brasileiro, não conseguíamos nos divertir muito, por mais que gostemos da cultura do Brasil. Mas a nossa nasceu com a gente e isso nós não podemos perder”, afirmou Andy.

A localização do bar é viável para todos os imigrantes, que antes tinham dificuldades para circular por outros bares da cidade.

O bairro Planalto abriga muitos dos haitianos e africanos que moram na Capital, devido à Pastoral do Migrante – primeiro refúgio dos imigrantes ao chegarem a Cuiabá.

Atualmente, existe cerca de 1.500 haitianos e africanos cadastrados na Polícia Federal para morar em Cuiabá.

O número dos imigrantes que vivem na Capital, porém, é muito maior, pois muitos ainda aguardam para serem cadastrados.

Enes Hils, de 27 anos, frequenta o bar todos os finais de semana.

“Lá nós podemos nos reunir para manter as nossas tradições culturais, ouvir nossas músicas, comer nossas comidas, beber nossas bebidas. É muito bom”, disse.

Enes chegou em Cuiabá há menos de um ano em busca de uma vida melhor. Ele deixou a noiva em Porto Príncipe.

“Estou juntando dinheiro para me casar”, contou.

Preconceito zero

No que diz respeito ao preconceito, Andy Darius conta que não sofre nenhum.

“Fui o primeiro haitiano a morar aqui na região do Planalto, e sempre fui muito bem recebido pelos moradores e comerciantes”, disse.

A professora Sileone Pinheiro Dantas é vizinha do Bar Reveurs e, conforme ela, os haitianos e africanos não perturbam ninguém.

“Eles são bem tranquilos, não se envolvem em confusão, ficam na deles, aí no bar. Temos uma convivência tranquila”, afirmou.

Sileoni disse que a chegada dos imigrantes no bairro trouxe muita vantagem aos moradores.

“Minha irmã tem uma loja de panelas usadas. Eles comprar quase todas”, disse.

A professora disse ainda que admira muito os costumes dos imigrantes.

“Eles têm orgulho de quem são, isso é muito importante”, contou.

Também vizinho do bar, Francisco Charges diz que os haitianos e africanos são pessoas de valores.

“De vez em quando eu vou lá no bar tomar uma sopa. É muito boa”, afirmou.

Carnaval

Aos interessados em conhecer a cultura dos imigrantes, o feriado de Carnaval é uma ótima opção.

O bar abrirá durante a noite e contará com muita música, comida e bebida típica do Haiti e a da África.

“Vamos festejar muito”, destacou Andy.

O caminho mais indicado para chegar ao bar é pela Avenida Dante de Oliveira. Em frente à Policlínica do Planalto, é só fazer a rotatória, e virar na rua à direita.

Thaiza Assunção

(Mídia News – 31/01/2016)



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