Domingo de sol, um belo casarão em Santa Teresa abre as suas portas para o evento “Tradições do Litoral Peruano”. Música, dança e gastronomia típicas eram algumas das atrações do lugar.

O Grupo Negro Mendes, formado por músicos peruanos, uruguaios e brasileiros, foi a primeira atração do dia. Com o objetivo de mostrar um pouco da tradição afro-peruana, os integrantes tocaram diferentes estilos musicais, como o festejo, landó, tondero e panalivio. Um instrumento de percussão em formato de uma caixa de madeira, denominado Cajón, foi um dos destaques da apresentação do grupo. O som grave e melodioso chamou a atenção de todos no local.

Em seguida, ocorreu uma pausa para a degustação da comida. Neste momento o lugar foi tomado por uma longa fila para comprar os pratos típicos. Ceviche, papa a la huancaina, tamales e papa rellena foram as comidas tradicionais peruanas servidas no local. O sabor bastante apimentado não intimidou nenhum dos presentes a desfrutar dessas relíquias da cozinha do país.

Rosário, de 55 anos, nascida em Lima, veio parar em terras cariocas há mais de 20 anos e confessa ter sempre se sentido imigrante, inclusive na parte profissional. “Tenho pouco estudo, então meu único campo de trabalho é o artesanato. Não posso me dar ao luxo de não trabalhar. É a única coisa que eu sei fazer”. A grande parcela dos imigrantes que estavam no local encontra a mesma dificuldade de trabalho de dona Rosário.

Paulo tem 22 anos e está entrando na faculdade justamente para não seguir os passos dos pais, que vieram do Peru há mais de 30 anos e não conseguiram estabilidade financeira até os dias de hoje. “Vejo que as pessoas têm um olhar exótico para qualquer imigrante. Como se ele fosse uma escultura, bonito de ver, mas só. Ninguém imagina um imigrante Doutor. Só comerciante, feirante e artesão”.

Por último ocorreu à apresentação de dança peruana do grupo Sayari. Há três anos, jovens peruanos – residentes no Rio de Janeiro – e brasileiros, uniram-se com o propósito de expressar e difundir a arte peruana.

Eventos como esse contribuem para dar maior visibilidade tanto para a cultura peruana quanto para a quantidade de pessoas que compõe essa comunidade pouco divulgada nos dias de hoje.

Iamê Barata e Fernanda Fonseca