Em ‘Meu avô árabe’, a autora de livros infantis Maísa Zakzuk usou a história do próprio avô para elaborar uma ficção infantil.

A história dos imigrantes árabes no Brasil já foi contada em diversos livros, para diversos públicos, mas agora chega aos pequenos leitores. Lançado em dezembro de 2012, Meu avô árabe é uma mistura de realidade e ficção elaborada pela autora Maísa Zakzuk para ensinar às crianças a cultura, os costumes e a história dos árabes que vieram para o País no fim do século 19 e começo do 20.

O livro é um dos nove da coleção Imigrantes do Brasil, lançada em 2008 pela editora Panda Books com histórias dos “avôs” imigrantes da Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, África, Grécia, Japão, China e do Oriente Médio, como é o caso do livro escrito por Zakzuk. A ideia de lançar essa coleção foi da diretora de projetos especiais da Panda Books, Tatiana Fulas, que desejava mostrar ao público infantil a diversidade de povos que forma a sociedade brasileira.

Quando decidiu lançar a coleção, a editora procurou autores que fossem descendentes dos imigrantes sobre os quais escreveriam. Alexandre Kostolias, que escreveu Meu avô grego, é descendente de gregos, assim como João Carrascoza, autor de Meu avô espanhol, é descendente de espanhóis, e Manuel Filho, de Meu avô português, descende de portugueses.

“Queríamos que os autores fossem descendentes dos povos sobre os quais escreveriam para que contassem um pouco da história da sua família. Para estes autores foi um resgate da história, alguns fizeram textos autobiográficos”, diz Fulas.

Com Maísa Zakzuk não foi diferente. Neta de Amin Zakzuk, que nasceu em Damasco, na Síria, ela já havia escrito um livro com base na sua história familiar, A árvore da família, em 2008. Para aquele livro, ela fez pesquisas sobre a cultura árabe, entrevistou parentes e imigrantes. Para Meu avô árabe, a autora voltou no tempo para contar um pouco da história de Amin.

No livro, o avô é o personagem Jido e a neta, a pequena Yasmin. Menina curiosa, Yasmin não perde a chance de encher o avô de perguntas, seja nos dias em que ele a busca na escola, seja nos dias em que ela fica na loja de tecidos dele. A cada conversa com Jido, uma nova descoberta sobre expressões em árabe, pratos típicos e costumes. É nos passeios com Jido que Yasmin também aprende sobre a imigração árabe e as influências que ela teve no Brasil. Entre um diálogo e outro, o livro mostra que cultivar as relações com os familiares preserva a identidade de um povo.

“Sempre fui envolvida com a história da minha família. Como eu já havia estudado as origens do meu avô, me concentrei na história dele e criei uma ficção para as crianças, um texto lúdico. Fiz uma mescla do real e da ficção. No livro eu contei sobre as tradições árabes, os doces, comidas típicas, expliquei que os árabes eram chamados de ‘turcos’ porque vinham para cá com passaporte da Turquia e que trabalhavam como camelôs porque os documentos demoravam a ser entregues”, afirma Zakzuk.

A coleção ainda vai crescer, mas não em 2013. Neste ano, disse Fulas, a editora deverá se empenhar na divulgação de Meu avô árabe e dos outros livros da coleção em escolas. “Mas há comunidades que nós ainda não foram contempladas e que poderão ser temas de livros no ano que vem. É o caso dos holandeses, armênios e romenos”, disse.

Marcos Carrieri

(Anba – 15/01;2013)