CRIANÇAS REFUGIADAS COMEMORAM O 12 DE OUTUBRO

12% dos refugiados acolhidos no Brasil são crianças e adolscentes.

Cerca de 30 crianças refugiadas que vivem no Rio de Janeiro receberam na tarde de ontem (11/10) brinquedos em uma festa promovida pela organização não governamental (ONG) Eu Conheço Meus Direitos, para comemorar o Dia da Criança. O evento, que contou com a presença de mágicos e palhaços, ocorreu na sede do projeto de Atenção a Refugiados e Solicitantes de Refúgio, na Tijuca, zona norte da cidade, que desde 1976 dá assistência a refugiados no Rio.

A iniciativa da ONG, que ocorreu pela primeira vez na sede do projeto, conta com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e das Cáritas Arquidiocesana do Rio. De acordo com o Conselho Nacional de Refugiados (Conare), o Brasil abriga cerca de 4.400* refugiados de 79 nacionalidades, sendo 12% deles crianças e adolescentes.

Segundo a coordenadora do projeto, Aline Thuller, os refugiados que mais se deslocam para o Brasil são da República Democrática do Congo, na África, com 570 pessoas, que estão em terceiro lugar no ranking de refugiados. Em primeiro lugar está Angola, com 1.060* refugiados, seguida da Colômbia, com 738, e em quarto, a Libéria, com 211*, e a Síria, com 138. “A Angola e a Libéria logo deixarão de fazer parte das estatísticas, pois está para sair a cláusula de cessação, pela qual receberão o documento de permanência no país”, informou.

A congolesa Eureka Bokufe, de 26 anos de idade, que estava na festa com o filho, veio para o Brasil com 18 anos, quando sua província, Kivu, foi atacada por um grupo de rebeldes. “Deixei minha família para trás, vim sozinha com a ajuda da Federação de Judô, já que era campeã nacional. Ainda no avião, vindo para cá, fui enganada por alguns africanos que acabaram roubando meus documentos. Eles foram comigo até a rodoviária e me largaram lá sem conhecer nada e nem ninguém. Por acaso, encontrei um angolano no local que me acolheu e me levou para este projeto. Aqui recebi a assistência necessária para começar uma nova vida. Tive meu filho, que hoje tem 7 meses, e conheci meu atual marido. Não pretendo voltar para a África, minha vida aqui é muito boa, inclusive, estou tentando trazer meus cinco irmãos para o país também”, disse.

Os irmãos congoleses Acasia e Benjamim Mbumbam, de 7 anos e 6 anos respectivamente, que estão apenas há um ano no Brasil, não quiseram relembrar o passado, apenas aproveitar a festa e o novo país. “Gostamos muito daqui, é muito legal, bem melhor do que o lugar onde morávamos. Gostamos da comida, das músicas e da escola. Já temos muitos amigos aqui”, relataram.

Aécio Amado

(Agência Brasil – 11/10/2013)

*** Nota do oestrangeior.org:
Angolanos e liberainos não podem mais ser contabilizados enquanto refugiados. Veja a nossa matéria a este propósito. O número certo, portanto, não passa de 3.000 refugiados. E não  4.400 como alegado.



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