BRASIL OU AS ARMAS

A maioria dos refugiados sírios fugiu do recrutamento.

Refugiado em Belo Horizonte da guerra que assola a Síria há três anos, Julian conta que tem parentes e amigos na batalha e que um deles foi baleado. Wiasam diz que viveu momentos de horror antes de abandonar a cidade natal e fugir para o Brasil. Ele viu vizinhos sendo decapitados.

O número de refugiados vem aumentando no Brasil, desde que começou a guerra civil na Síria. A maioria é formada por homens que fugiram para não ter de pegar em armas. Eles buscam o apoio da comunidade árabe para refazer a vida. Nos últimos três anos, mais de 100 mil pessoas morreram no conflito entre os que são contra e os que são a favor do presidente Bashar al-Assad.

No ano passado, com a mudança na política de vistos a estrangeiros, o governo brasileiro triplicou o número de concessões. Só para os atingidos pelo conflito na Síria, foram 2.270 vistos de setembro até agora, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores.

Segundo o Ministério da Justiça, não há ajuda financeira. Muitos contam com a comunidade árabe. Em Belo Horizonte, a igreja do padre George Rateb Massis, que também é sírio, alugou um apartamento para sete rapazes. O grupo veio da região de Homs, a terceira maior cidade síria, e berço da revolta contra o governo.

“Menino vem aqui tão longe, de uma cultura diferente, de uns costumes diferentes. Vem para começar um serviço aqui, em Belo Horizonte, no Brasil. Está difícil para um brasileiro, imagina para um estrangeiro”, diz o padre Massis.

Boa parte dos refugiados é homem. Rapazes que já cumpriram o serviço militar obrigatório na Síria, e que se continuassem por lá, seriam convocados a qualquer instante para a guerra. Eles não querem pegar em armas. Sonham em voltar em paz para casa. “Cada pessoa ‘suenha’ em voltar a seu país, à sua cidade”, define Bahiej Massouah, de 24 anos.

(G1 – 21/04/2014)



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