IMIGRAÇÃO REVITALIZA CENTRO DE SÃO PAULO

Jornal norte-americano destaca novos negócios criados por chineses, africanos e latino-americanos no deselegante e velho centro da metrópole paulista.

O jornal norte-americano New York Times publicou uma reportagem sobre a vinda de imigrantes para o centro de São Paulo. O autor (Simon Romero) chama a região de “decrépita” e afirma que muitos paulistanos evitam o lugar. Apesar disso, relata que muitos imigrantes, como chineses, africanos e latino-americanos estão instalando negócios no local.

O tema principal é o intenso fluxo migratório no Brasil nos últimos anos e a recente mudança da paisagem cultural do centro histórico da maior cidade do Pais devido principalmente aos novos imigrantes que passaram a viver ali.

A matéria inicia com uma breve caracterização de como está o processo de mudança da zona central da cidade, considerada pela maioria dos paulistanos como uma região perigosa, frequentada por traficantes, bandidos e viciados que circulam diariamente no entorno da região entre muros pichados e prédios vetustos.

De acordo com o jornalista, esta região passou a ser habitada nos últimos anos por novos imigrantes que chegam em cada vez maior número devido principalmente ao baixo custo dos aluguéis. E no local, os imigrantes passaram a criar novas oportunidades de trabalho, mudando um pouco o perfil urbano da área.
O primeiro exemplo é o do congolês Katumba, que chegou ao Brasil ha menos de um ano. Ele vê a região central como um local belo e não feio, diferente como muitos afirmam. Katumba era engenheiro em sua terra natal e agora ganha a vida alugando computadores para diversas pessoas das mais variadas culturas, desde colombianos, até haitianos e africanos que agora vivem ali.

O repórter assim traça um breve panorama da crescente e nova imigração no Brasil desde quando o país passa a ser visto por outras nações mais pobres com uma terra economicamente promissora e a cidade de São Paulo como centro catalisador deste fenômeno. Segundo o jornalista, a maioria dos imigrantes que agora chegam ao Brasil provém da China, países africanos e países da América do Sul e Central.

São Paulo é descrita assim como o maior centro urbano do continente sul americano, com aproximadamente vinte milhões de habitantes e oficialmente 368 mil estrangeiros. No entanto, segundo o repórter, após o Brasil começar a ganhar status de um país em ascensão social e econômica, de acordo com as autoridades oficiais este número pode chegar a 600 mil (algo bem menor se comparado a Nova York que conta com 3 milhões de estrangeiros).

Após esta breve contextualização, o artigo aborda como historicamente a área central passou a ser abandonada devido principalmente ao crescimento de outras regiões mais ricas. De acordo com o periódico, a região que começa a ser vista como suja e degradada nas últimas décadas antes era considerada uma zona nobre da cidade até a metade do século XX, habitada pela classe média e também por imigrantes italianos, portugueses, espanhóis e árabes que passaram a chegar no Brasil em maior número na metade do século XIX.

No entanto, afirma o jornal, nas últimas décadas, as políticas desenvolvimentistas deram origem a uma extensa metrópole, com sérios problemas de trânsito, caracterizada por condomínios fechados contrastando com vastas favelas, arranha-céus de luxo e novos distritos financeiros ao longo das vias da Avenida Paulista. Enquanto isso, o centro antigo, apesar de ser de fácil acesso através do transporte público, caiu em declínio. No entanto, a mudança começa acontecer agora.

Um outro caso citado é o do peruano Edgar Villar que possui um restaurante na  região, cada mais frequentado por pessoas de todas as partes da cidade. Outro exemplo é o do imigrante chinês  Kwok Man Long , de 28 anos, dono de uma loja de luminárias. Man Long ainda considera a área perigosa mas os baixos custos de aluguel, segundo ele, facilitam o comércio e seus lucros.

De acordo com a reportagem, a comunidade chinesa de São Paulo é composta em grande parte por proprietários de pequenas empresas, como lojas de alimentos e hardware. Atualmente o número chegaria à 100 mil imigrantes provenientes do pais asiático.

O jornalista faz, em seguida, uma comparação histórica entre o atual fluxo migratório no Brasil com as primeiras políticas de imigração, citando a primeira Constituição de 1889 que promovia o “branqueamento” da sociedade brasileira através da imigração europeia.  No entanto, uma das exceções era concedida aos migrantes japoneses, que hoje constitui  mais de 1,3 milhões de imigrantes e descendentes no Brasil. Assim, uma curiosidade surge: a de que nos últimos anos, a Liberdade, bairro tradicional japonês muito próximo a centro antigo, tem assistido a um forte aumento da imigração chinesa.

A reportagem explica também que, apesar da legislação de 1980 durante a ditadura militar ter criado vários obstáculos para a imigração legal, as deportações foram raras. Enquanto isso, as autoridades concederam anistia aos imigrantes que estavam sem documentos.

Outro ponto abordado são as dificuldades enfrentadas pelos novos imigrantes, como o caso dos bolivianos e peruanos encontrados trabalhando em condições de escravidão em fábricas têxteis paulistas. Um caso emblemático também citado é a tragédia ocorrida no ano passado em que assaltantes assassinaram um menino de  5 anos de idade, filho de imigrantes bolivianos após uma invasão de domicílio.

Centenas de bolivianos, uma das maiores comunidades de imigrantes de São Paulo, foram às ruas protestar. Assim, o pesquisador norte-americano Jeffrey Lesser é consultado, ao afirmar que meio aos protestos de junho do ano passado, quando a população brasileira tomou as ruas, houve também o surgimento da reivindicação dos bolivianos.”Foi um exemplo vivo de imigrantes afirmando o seu lugar na esfera política”, afirma Lesser.

De acordo com o New York Times, diretores de cinema e escritores também estão inspirando-se no aumento do fluxo migratório no Pais. Um exemplo seria a mini- série de ficção produzida para HBO Brasil chamada “Destino : São Paulo “.

Por fim, é colocado que o poder público passou a atentar recentemente para a região central histórica, tentando atrair moradores e restaurando prédios, como a estação de trem Júlio Prestes, convertida para tornar-se a casa da Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Assim o último caso citado é o da camaronesa Biyouha, de 43 anos, que possui um restaurante de comidas típicas africanas. Para ela, São Paulo não seria um lugar perfeito, ideal, no entanto pessoas de todo o mundo estariam vindo cada vez mais, dizendo acreditar também que a cidade pode tornar-se um dia como Nova York, com devidas considerações.

Tradução e síntese
Guilherme Curi



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