DIA DAS MÃES NO ABRIGO

Aflição, saudade, distância. Para as mães que vivem no abrigo público montado para receber os imigrantes em Rio Branco é difícil administrar tantos sentimentos.

Deixar filhos e família para trás na América Central e tentar recomeçar a vida no Brasil não foi uma decisão fácil. Mas a esperança de dias melhores e a certeza do reencontro é um alento para elas que vão passar o primeiro Dia das Mães longe dos filhos.

Em meio a lágrimas, a dominicana Marina Garcia, 37 anos, conta que está distante dos dois filhos, de 18 e 15 anos. O garoto teve que ficar no Equador e a filha na República Dominicana. “Vim em busca de melhorar a minha vida. Quero trabalhar enfeitando unhas e cabelos”, conta. Ela está há um mês no abrigo e retrata que teve dificuldades para chegar na capital, tendo que dormir por alguns dias em frente à Polícia Federal de Epitaciolândia, distante 230 Km de Rio Branco.

Sobre os filhos, ela conta que sente muita saudade e que a falta de comunicação também a preocupa. Marina não conseguiu trazer nenhuma foto dos filhos, mas carrega o desejo de reencontrá-los assim que puder. “Se as coisas não andarem bem por aqui, quero voltar para a República Dominicana e reuni-los novamente. É difícil porque também não consigo muito contato”, diz.

Com a intenção de ir para Curitiba (PR), Sonia Seraphin, de 41 anos, largou o Haiti em busca de melhores condições de vida. “As condições de vida no Haiti me forçaram a vir para o Brasil. Eu tenho esperança de financiar a vinda dos meus filhos, mas não sei quanto tempo vou precisar para levantar esse dinheiro”, desabafa.

Sonia tem três filhos, com 20, 13 e 10 anos. Desde que chegou ao Brasil, a falta de comunicação com eles é o que mais a aflige. Porém, ela garante que após conseguir se estabilizar no Brasil, vai conseguir trazê-los.

“Quero uma formação mais clássica para a minha vida”. Com essa frase a haitiana Mike Dana Cracksil Eliasaint, de 27 anos, natural de uma província no ocidente do país, tenta explicar o que a levou deixar sua filha de 7 anos com a avó e partir sozinha para o Brasil. “Quero ir para Santa Catarina e terminar minha formação em tecnologia de medicina. Não consigo ter muito contato com a minha filha, é muito difícil. Não tenho nem palavras”.

Enquanto o G1 conversa com algumas imigrantes, outras se aproximam já com as fotografias em mãos. Elas disseram que, de alguma forma, essa é uma maneira de seus familiares terem notícias sobre elas.

Ketie Jeudy, de 26 anos, deixou duas filhas no sudeste do Haiti. Ela era comerciante  e conta que veio para o Brasil porque no Haiti as coisas não estavam fáceis. “Me sinto muito mal aqui e quando penso em minhas filhas, fico pior ainda”, desabafa. Assim como as outras, ela diz que não consegue falar com a família. Sem saber ainda em que pode trabalhar, ela diz que pretende rever as filhas, mas não consegue contabilizar um tempo para que isso aconteça. “Como ainda não consegui um emprego no Brasil, nem consigo imaginar quanto tempo isso pode durar”, destaca.

A última vez que Rosita Julecin, 38, falou com seus filhos foi no dia 2 de abril. Mãe de um casal, um de 5 e outra de 3 anos, ela deixou Porto Príncipe para tentar recomeçar no Brasil. “É a primeira vez que vou passar longe dos meus filhos. Eu não me sinto bem com isso, sinto muita falta, mas vou arranjar uma casa para logo trazê-los para perto de mim”, garante.

Tácita Muniz

(G1 – 10/05/2014)

 



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