PORTUGUÊS SOLIDÁRIO

Movimento Negro promove alfabetização de haitianos em Cuiabá.
Diante do aumento do número de haitianos em Cuiabá, o Movimento Negro em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) criou um projeto de alfabetização para esses imigrantes por meio do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja). De acordo com Ana Carolina Costa, assistente técnica pedagógica da instituição, aproximadamente 90 haitianos estão tendo aulas de língua portuguesa. As aulas começaram há cerca de duas semanas, mas as matrículas poderão ser feitas em qualquer período do curso.

“Esse é um projeto piloto. A ideia é expandir para todos as escolas onde tem o Ceja”, comentou Ana Carolina. Para inserí-los no ensino, ela disse que algumas situações foram levantadas, como, por exemplo, em relação ao trabalho e ao local onde eles moram.

A maioria dos haitianos que chega ao país falam dois idiomas, o crioulo e o francês. Mas em alguns casos, eles não tiveram contato com a escola nem mesmo no país de origem, o que dificulta o processo de alfabetização. Já que antes de aprender a língua portuguesa, eles precisam aprender a ler e escrever. “Foi um pouco complicado aplicar o questionário, que era para poder facilitar o processo de inclusão. A partir disso, a escola vai fazer um novo diagnóstico para classificá-los de acordo com a escolaridade de cada um”, disse a assistente técnica.

Para amenizar esse problema, os alunos que já tiveram mais contato com o português são colocados como intérpretes e são chamados de facilitadores. “Estamos contratando duas professoras graduadas em português/francês, de língua portuguesa e os facilitadores”, adiantou a coordenadora do projeto, Antonieta Costa.

Um dos alunos do projeto é Ermano Noel. Ele trabalha como pedreiro na capital mato-grossense e, no país natal, foi para a escola apenas por alguns anos, o equivalente ao ensino fundamental no Brasil. “Aprendi a língua portuguesa porque quando chegamos em um país a obrigação é aprender língua do país”, afirmou o haitiano ainda com dificuldades na pronúncia do novo idioma.

As aulas são ministradas de 19h as 22h, de segunda-feira a sexta-feira, na Escola Estadual Leovegildo de Mello, no Bairro CPA3, na capital.

(CBN – 29/05/2014)



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