GANESES CONTINUAM DESAMPARADOS

Em São Paulo e no DF, solicitantes de refúgio continuam em situação indefinida.

 

O governo do Distrito Federal iniciou nesta semana uma força-tarefa para encaminhar os pedidos de refúgio de cerca de 250 imigrantes ganeses à Polícia Federal e ao Comitê Nacional para Refugiados (Conare). Eles vieram ao Brasil para a Copa do Mundo, mas afirmam que não querem voltar ao país de origem.

A iniciativa conta com a parceria do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e de voluntários, que auxiliam os ganeses a se comunicar e a preparar a documentação necessária. A ação é coordenada pela Secretaria de Governo do DF e pela administração regional de Samambaia.

“Estamos prestando todo o auxílio necessário aos imigrantes, como alojamento, fornecimento de cestas básicas e mediação junto aos órgãos competentes”, afirmou o administrador de Samambaia, Carlos Santarém.

Na sexta-feira passada, 14 ganeses contaram ao DFTV que estão dividindo a mesma casa. O grupo diz que não quer voltar a Gana, porque o país enfrenta uma crise econômica. No Brasil, eles esperam encontrar um emprego e novas oportunidades, e planejam trazer os familiares para o país. O visto dos africanos refugiados vence neste mês.

Em julho, o presidente do Conare, Paulo Abrão, disse que a lei precisa ser cumprida no caso dos pedidos de refúgio. “As pessoas que não estejam em situação de perseguição política, sejam por quaisquer motivos, de raça, de cor, de pertencimento a grupo social ou por orientação sexual, essas pessoas não têm direito a serem declaradas refugiadas”, afirmou.

O Conare, vinculado ao Ministério da Justiça, aprovou pedidos de 532 refugiados no mês passado, em uma única reunião. O número é superior ao total de refúgios concedidos em 2013. Do total, 532 pedidos eram de imigrantes sírios, em virtude da guerra civil que assola o país desde 2011. Os sírios já compõem a maior população de refugiados no país, com 1.245 pessoas. No total, o Brasil acolhia 6.588 refugiados até o fim de julho, segundo dados do Ministério da Justiça.

Em São Paulo, cerca de 70 ganeses estão vivendo em uma mesquita desde a Copa do Mundo. Eles vieram para o Brasil há dois meses para trabalhar no evento e não pretendem mais voltar para Gana por causa dos conflitos no continente africano e também contaminação por doenças, como o vírus ebola.

A condição dos imigrantes é de extrema pobreza, mas a mesquita diz não ter estrutura para abrigá-los. Eles dormem no chão do salão de orações e dividem dois banheiros, com apenas um chuveiro de água gelada. “Tem dia que eles não comem, só tomam água”, disse o conselheiro para imigrantes e integrante da Associação de Senegaleses de São Paulo, Massar Sarr.

Até o momento, os ganeses contam com a ajuda da comunidade africana e estão em situação semelhante à dos haitianos que chegaram ao país no primeiro semestre deste ano. No domingo (3), alguns senegaleses estiveram na mesquita e doaram roupas e comida.

Os imigrantes entraram no Brasil com um visto temporário, e depois solicitaram refúgio no Ministério da Justiça para continuar no Brasil. Com o protocolo, deram entrada no pedido na carteira de trabalho para conseguir um emprego.

A maioria não fala português e não tem parentes no Brasil. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos informou que vai entrar em contato com os ganeses para orientá-los sobre a regularização dos documentos. Quem quiser ajudar os imigrantes, pode levar doações para a Mesquita Associação Al Bait El Nabawi do Brasil, que fica na Rua Guaianases, 68, no Campos Elíseos.

(Agências – 08/08/2014)



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