BUSCANDO SABER

Udesc oferece formação a estrangeiros de países em desenvolvimento.

A vida do timorense Domingos Sebastião Guterres mudou completamente em fevereiro de 2013. Aprovado em um rigoroso processo seletivo em seu país, ele viajou mais de 17 mil quilômetros para cursar graduação em Administração Pública em Florianópolis, na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A oportunidade surgiu por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferece vagas em universidade brasileiras a estrangeiros de países menos desenvolvidos – e que desde 2003 já trouxe cerca de 60 estudantes à Udesc.

Dizendo-se tranquilo, Domingos conta que, no início, a adaptação às aulas no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) foi muito difícil, especialmente pela dificuldade com o idioma.

Apesar de o Timor Leste ter sido colônia portuguesa, a barreira da linguagem já era esperada: 36 idiomas diferentes são usados no país, entre eles o indonésio e o tetum (a língua oficial, junto com o português).

Domingos cresceu aprendendo essas três línguas além do midiki, idioma familiar no subdistrito onde cresceu (Venilale, no Distrito de Baucau) no pequeno país do sudoeste asiático.

Para auxiliar na adaptação, como primeiro compromisso ao chegar a Florianópolis, ele e outros 15 conterrâneos fizeram um curso de três meses de língua portuguesa na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Desse grupo, outra estudante, Natalina Mendonça Ribeiro, também se matriculou na Udesc, no curso de Medicina Veterinária, ofertado no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), em Lages.

Os dois estão no quarto termo e devem retornar ao Timor Leste após concluir a graduação, com o compromisso de aplicar seus conhecimentos para ajudar no desenvolvimento do país natal.

Segundo Domingos, um novo grupo de 84 estudantes timorenses deve chegar ainda este ano a Santa Catarina.

Bolsas de apoio

Para cobrir as despesas no Brasil, muitos estudantes beneficiados pelo PEC-G recebem bolsas de estudos de seus países de origem, como nos casos dos timorenses. O governo brasileiro também dispõe de programas de apoio para estudantes, com base no mérito e na situação socioeconômica.

Mas, segundo a responsável pelo apoio aos estudantes estrangeiros da Udesc, Lorieti Nardelli da Luz, a condição social dos estrangeiros beneficiados pelo convênio costuma variar bastante e nem todos precisam de auxílio.

Aos que precisam, é possível recorrer na Udesc a diferentes bolsas de graduação – auxílio permanência, apoio discente, extensão, pesquisa – além do estágio remunerado.

Neste semestre, Domingos começou a atuar à tarde como bolsista de apoio discente na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade (Proex), no mesmo prédio da Udesc Esag, onde estuda de manhã.

Programa federal

Desenvolvido em conjunto pelos ministérios das Relações Exteriores (MRE) e da Educação (MEC), o PEC-G traz anualmente ao Brasil cerca de 500 estudantes estrangeiros, aos quais são oferecidos ingresso facilitado e vagas gratuitas em cursos de graduação de universidades brasileiras.

A maior parte dos estudantes beneficiados é vem de países da América do Sul, da África e da Ásia. A Udesc oferece uma vaga por curso a cada ano – que nem sempre é ocupada – e quase todos os centros de ensino já receberam alunos pelo programa.

Os primeiros estrangeiros chegaram em 2003, do Paraguai, e frequentam ou já frequentaram aulas na universidade estudantes de Honduras, México, Equador, Colômbia, Congo, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre outros.

Serviço

Assessoria de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Gustavo Cabral Vaz
E-mail: gustavo.vaz@udesc.br
Telefone: (48) 3321-8281

(Santa Catarina – 29/08/2014)



Categorias:estudantes

%d blogueiros gostam disto: