EXPATRIADOS, FLUXO E DEMANDAS

Profissionais de qualidade exigem serviços de qualidade. Adaptação a mão dupla.

Segundo estudo publicado pela Brookfield Relocation Services, após a crise internacional, o Brasil tornou-se um dos destinos mais frequentes para executivos expatriados – mesmo atualmente, com a estagnação da economia, tal fluxo migratório continua forte. Os pesquisadores afirmam que, dos países cujo número de executivos expatriados vem aumentando, o Brasil encontra-se em primeiro no pódio (7%), seguido de China, Índia e África do Sul (todos com 4%). No ranking geral, o país está na 12ª colocação.

Na opinião de Gustavo Pérez, diretor da consultoria da Brookfield para a América Latina, a boa colocação do Brasil no índice é sustentada por seu amplo mercado consumidor e pelo alto número de multinacionais em seu território.

A pesquisa também divulgou que 70% das empresas inclusas no grupo focal indicaram que reduziram os custos das movimentações internacionais, mas que isso não acarretou em diminuição do número de expatriados, apenas em uma estratégia de negócios mais cuidadosa. Outro ponto frisado pela análise é a de que 40% dos respondentes acreditam que o número de transferências internacionais aumentará este ano em comparação com 2013 – 44% acreditam que ele vai permanecer o mesmo, e 16%, que ele irá diminuir.

A maioria dos expatriados são homens entre 30 e 40 anos, mas há um aumento da participação de mulheres nos programas, que representam 20% do total. Também tem aumentado o número de expatriados entre 20 e 29 anos de idade, em programas de curto prazo. Isso ocorre devido à maior flexibilidade dos membros da geração Y, que não mostram preocupação em ir para lugares desconhecidos.

Demanda por serviços

Segundo outro estudo – da FGV, a adaptação dos estrangeiros ao novo país é a principal causa da falha de expatriações. 50% dos imigrantes voltam ao país de origem por esse motivo. Tal fato, juntamente com o aquecimento das expatriações no Brasil, tem criado oportunidade de serviços de adaptação para estrangeiros.

João Marques, sócio fundados da EMDOC, acredita que devem surgir nos próximos anos oportunidades em áreas como as de restaurantes bilíngues, e serviços domésticos, de motorista e de seguranças destinado a estrangeiros. O diretor da Superação Treinamentos e Consultoria, Marcos Sousa, afirmou que o expatriado, geralmente de nível técnico ou superior, costuma ser culto e exigente. Na maioria das vezes, o estrangeiro também fala, além de sua língua materna, o inglês e o francês.

Serviços voltados ao estrangeiro já surgem em vários estabelecimentos brasileiros: a escola de idiomas Berlitz do Brasil viu o curso de língua portuguesa atingir a segunda posição dos idiomas mais procurados pelos clientes. Concomitantemente, a Mundivisas, empresa especializada em prover consultoria e imigração no Brasil, oferece serviço de relocation, que estuda os desejos e necessidades do expatriado para minimizar o choque cultural. Mariangela Moreira, presidente da empresa, explica: “A ambientação social não só do expatriado, mas também de sua família, é um ponto chave para as empresas manterem seu funcionário no Brasil e evitar custos jurídicos no caso de uma volta repentina”.

Ugo Flores

(oestrangeiro.org)



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