CONTRA A PERPLEXIDADE, A RAZÃO

Como distinguir a preocupação verdadeira da manipulação retrógrada no atual cenário de desinformação generalizada?

Não há como negar o clima de apreensão que roda os brasileiros, como outros povos do mundo, devido ao desastre sanitário e humanitário que assola algumas regiões do continente africano e, principalmente, em decorrência do tratamento excessivamente sensacionalista dispensado pela mídia comercial à questão.

No entanto, tampouco se pode ignorar o componente racista e xenófobo que move muitas das reações de categorias profissionais, autoridades e líderes de opinião. Preocupações legítimas são, muitas vezes, recuperadas e instrumentalizadas por vozes reacionárias e intolerantes. É preciso, mais de que nunca, ficar vigilante para discernir o receio fundado do alarmismo histérico e pregações obscurantistas.

O Blog da Amazônia, por exemplo, questiona a posição do ministério da saúde que descarta a possibilidade de entrada do vírus ebola no país pela fronteira Norte. Segundo o ministro, os imigrantes africanos demoram de 45 a 60 dias, após a partida, até chegarem ao Estado. Período muito superior ao de incubação da doença, que é 21 dias.

Para o blog, os imigrantes senegaleses não demorariam mais de que 15 para chegar até Rio Branco.

O blog acrescenta, ainda, que os profissionais que trabalham na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e Bolívia teriam manifestado preocupação com a crescente entrada de senegaleses no Brasil.

Senegal livre de ebola

Lembremos a este propósito que o único caso de ebola registrado no Senegal é de um único paciente procedente da Guiné em agosto e que se encontra já recuperado. Ou seja, não houve nenhum caso de contaminação dentro do território senegalês.

Aliás, tanto Senegal como Nigéria podem estão prestes a serem declarados livres de Ebola por completarem o período de 42 dias sem novos casos, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) terça-feira passada (14/10), segundo a agência Reuters

Mesmo assim, segundo o blog da Amazônia, os funcionários brasileiros reclama da falta de avaliação sanitária de imigrantes senegaleses na fronteira.

Indústria ‘Halal’

O s imigrantes senegaleses são solicitados para trabalhar na indústria de carne e aves ‘halal’ – rito islâmico que exige que os funcionários sejam de confissão muçulmana.

As exportações ‘halal’, estimadas em centenas de bilhões de dólares, constituem um mercado promissor disputado pela indústria brasileira.

Dito de outra maneira, a entrada de imigrantes muçulmanos (principalmente senegaleses e bengalis) é de uma inestimável valia para a indústria e economia nacional. E se não houvesse tanta demanda, certamente não haveria interesse por esses imigrantes em vir ao Brasil.

Controle em Cascavel

Por outro lado, em Cascavel, no Oeste do Paraná, onde o guineano suspeito de ebola estava quando procurou o posto de saúde, vai continuar monitorando 14 estrangeiros. Nove deles são oriundos da Guiné, país do extremo oeste africano afetado pela doença. As entidades que acolhem estrangeiros em busca de emprego no Oeste do Paraná reforçaram a segurança para evitar possíveis contaminações.

No albergue André Luiz, onde o guineano estava hospedado, os funcionários passaram, desde esta segunda-feira (13/10), a trabalhar paramentados com aventais, máscaras, óculos de proteção e luvas. Eles também estão verificando a temperatura de todas as pessoas que pernoitam no local. Junto com os funcionários do Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População em Situação de Rua (Creas POP) eles participaram de um treinamento na sede da 10ª Regional de Saúde do Paraná.

De acordo com médica sanitarista, Lilimar Mori, os profissionais das unidades de acolhimento estavam apreensivos já que o paciente que até então era suspeito de ser portador do vírus havia passado por ambos os locais. “O que a gente quer garantir que eles tenham um risco baixo de infecção e que eles tenham tranquilidade para exercer suas funções”, diz a médica.

Fabiane Fauth Ferreira, psicóloga do albergue, disse que agora a rotina será alterada no local. “A gente sempre teve um cuidado com a higienização e agora vai ser maior ainda”, afirma.

Ela disse que o cuidado será redobrado com os estrangeiros da Guiné. Segundo ela, a paramentação incomoda um pouco, mas é necessário. “Na verdade vai ter que entrar na nossa rotina porque os africanos continuam chegando e a gente vai continuar atendendo”, declara.

Sindicato

Segundo o G1, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Acre (Sindsep-AC), Pedro Nazareno, informou que os servidores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Rio Branco, querem que os imigrantes passem por uma triagem antes de receber atendimento no órgão, porque temem o vírus ebola.

Eles pedem ainda melhorias na infraestrutura e aumento do número de profissionais, em função do aumento de imigrantes que chegam ao Acre, todos os dias, desde 2010.

“Ainda não vislumbramos a possibilidade de chegar alguém contaminado ao MTE, mas é importante enfatizar que os servidores estão em contato direto com esses estrangeiros sem nenhuma forma de proteção. Queremos que o governo federal tome outras medidas para tentar passar mais segurança no acesso desses imigrantes ao Brasil”, destaca.

Além disso, o presidente do Sindsep alega que os servidores têm que lidar com o aumento do atendimento dos imigrantes e também dar suporte à demanda local. “Nós continuamos atendendo a localidade. Temos três servidores que fazem o atendimento direto, além de outros setores. Outro dia, tivemos um problema: senegaleses e haitianos começaram um tumulto, só temos um vigilante e ele teve que resolver”, relata.

Pedro afirma que os servidores temem a facilidade de que esses imigrantes tem entrado no país. “Não há exames que possam detectar se eles estão trazendo vírus ou não. Não tem uma quarentena e aqui não temos infraestrutura para atender nenhum deles que por ventura chegue doente”, ressalta.

Os imigrantes, em Rio Branco, ficam hospedados no abrigo montado na Chácara Aliança, bairro Irineu Serra. De acordo com a coordenação da Secretaria de Estado e Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) uma média de 100 a 120 imigrantes têm chegado diariamente ao Acre, pela fronteira.

(oestrangeiro.org)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: