AGORA SOU ZÉ!

Sírios já são a maior população de refugiados no país. 

Refugiados da Síria estão escolhendo o Brasil para escapar da guerra civil que arrasa o país há quase quatro anos. Eles deixam tudo para trás: patrimônio, emprego e muitas vezes até a família.

A alegria do menino é a de quem descobre um mundo novo. A língua estrangeira já não soa tão estranha aos ouvidos de Younes, o caçula da família.

Mas foram os filhos mais velhos os primeiros a desbravar o país desconhecido para eles. Ibrahim fugiu da Síria antes de completar 19 anos para escapar do serviço militar. “Se você for soldado, vai ter muito problema: ou você vai matar uma pessoa ou a pessoa vai matar você. É muito problema”, conta.

Armen, que é formado em hotelaria e em marketing, sentiu na pele a violência do conflito. Conta que ficou preso, sem motivo, em uma cela com 44 pessoas por três meses. Os pais vieram depois, fugindo da guerra civil que devasta a Síria desde 2011.

No Rio, a família, por enquanto, vive em um apartamento emprestado, com poucos móveis, mas muita esperança de conseguir emprego e recomeçar.

A travessia de dez mil quilômetros se tornou uma rota percorrida por um número cada vez maior de sírios em busca de uma vida nova. No ano passado, os refugiados da Síria no Brasil somavam 443. Agora já são 1.626. Sem contar os pedidos de refúgio: 1.021.

Hoje, os sírios já se tornaram a maior população de refugiados no Brasil. Superaram os colombianos (1.257) e os angolanos (1.067).

Desde setembro do ano passado, o governo brasileiro facilita os vistos para os cidadãos do país em conflito.

“Eles conseguem chegar sem precisar apresentar uma série de documentos que normalmente são exigidos”, explica Fabrício de Souza, advogado da Caritás para refugiados.

O advogado Mohamad fugiu depois de ver todos os amigos serem mortos pela guerra e não pensa em voltar. “Eu vou começar minha vida aqui. Eu quero muito o Brasil”, diz ele.
Desembarcar em um país tão distante e tão diferente da Síria como o Brasil exige coragem. É preciso aprender uma nova língua, novos costumes, uma nova profissão. Mas quem viu a guerra tão de perto não tem medo desses desafios. Para eles, são oportunidades.

Joseph, que era dono de um comercio na Síria, agarrou a chance de trabalhar como ajudante de cozinha. Em pouco tempo, Joseph já virou Zé.
“Agora eu sou Zé. Agora eu sou brasileiro”, brinca.

(G1 – 01/11/2014)



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