A INSERÇÃO NA PRÁTICA

Mutirão do Estrangeiro atende 120 imigrantes em Faculdade de Direito de Toledo.

Ao todo, 120 estrangeiros, na sua maioria vindos do Haiti, Senegal e Bangladesh, compareceram no sábado (22/11), nas dependências da Fasul, para participar do Mutirão do Estrangeiro, iniciativa que visa regularizar a situação destas pessoas que moram e trabalham em Toledo. O mutirão também visa o encaminhamento na busca de certidão e eventualmente no processo de regularização junto à Justiça Federal.

De acordo com a coordenadora do curso de Direito da Fasul, Camila Milazotto Ricci, o Mutirão foi muito positivo para os alunos, para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Toledo, que também faz parte do projeto, e, principalmente, para os estrangeiros.

“Foi importante, porque conseguimos extrair alguns dados a respeito da identidade dessas pessoas, quanto tempo eles estão em Toledo, que cargos estão assumindo e em quais empresas estão trabalhando. A gente percebeu que cerca de 95% deles estão em situação regular no país. Foi bom também para entender a situação jurídica deles e esses estrangeiros não tem nenhuma documentação pendente”, comenta.

Segundo ela, os estrangeiros precisam regularizar a sua situação para morar no Brasil e as empresas onde trabalham estão sendo bastante responsáveis nessa regularização. “É importante que eles percebam que existem grupos em Toledo que podem dar essa assistência”.

Em algumas situações, é necessária uma atenção maior, além do atendimento feito no sábado. Foram marcados três novos encontros na faculdade, para os quais os estrangeiros deverão retornar com documentos para uma melhor avaliação. Entre os casos estão a guarda de filhos, em que os menores deverão ser representados por adultos, e de irmãos que têm registro de outra nacionalidade e não do Brasil. Os novos encontros serão nos dias 29 de novembro, 04 e 08 de dezembro.

Segundo Camila, no Mutirão do Estrangeiro eles puderam fazer outras descobertas. “Das pessoas que eu atendi todas são muçulmanas e apesar de não se ter Mesquita em Toledo, elas se reúnem em uma casa para fazer as suas orações. Estes estrangeiros são muçulmanos praticantes”.

Ela conta que quase todos estão trabalhando. Os que estão desempregados chegaram recentemente à cidade. “Geralmente estão atuando em serviços braçais. Muitos deles estão empregados na Fiasul, na BRF e também na construção civil”.

Camila informa que a maioria dos 120 estrangeiros que compareceram no Mutirão são homens. Compareceram também algumas mulheres paraguaias e argentinas. “Os homens vão para Toledo sozinhos e deixam nos seus países, esposas, noivas e filhos”.

Para Camila, uma grande dificuldade que os estrangeiros têm é o idioma. Por conta disso eles andam em grupos. “Muitos deles não conhecem nada das lí­nguas portuguesa e inglesa. Os haitianos e senegaleses falam somente a língua francesa, alguns deles nem mesmo o francês conseguem falar, apenas o dialeto da terra em que nasceram. A gente precisou de outros estrangeiros que vieram com eles para fazer a tradução.

Um das perguntas feitas aos estrangeiros era se eles pretendiam voltar a estudar. “Todos responderam que sim, mas somente o português, para aprender a língua e se comunicar melhor, principalmente no trabalho”.

O projeto Mutirâo do Estrangeiro é um convênio da (OAB), Subseção de Toledo, com o curso de Direito da Fasul. O convênio foi assinado dia 19 de setembro e deverá ser reeditado. Os estrangeiros que precisaram de atendimento podem procurar o Núcleo de Práticas Jurí­dicas do curso de Direito da Fasul. “O projeto será permanente e talvez façamos novos mutirões para lembrar que ele existe”, informa a coordenadora.

(Gazeta de Toledo – 26/11/2014)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: