A BUSCA DE UM LAR

Imigrantes africanos em São paulo encontram dificuldades para morar.

Segundo números da Polícia Federal veiculados pela CBN, quase 15.000 africanos estariam atualmente no Brasil; dos quais uns 26% residiriam em São Paulo.

Andando pela região central da capital paulista é possível reconhecer um pedaço da África. Nos bairros do Bom Retiro e Brás, encontramos restaurantes com comidas camaronesas e nigerianas.

Uma igreja pentecostal e uma mesquita são pontos de encontro para os quase quatro mil africanos que vivem em São Paulo. Em uma das ruas do Centro da cidade, o fim de tarde é sinônimo de encontro dos imigrantes que vêm de pontos diferentes da África e, por isso, os idiomas falados variam até em uma mesma mesa de bar.

O titular do terceiro Distrito Policial de São Paulo, delegado Reinaldo Vicente Castello, atua nesta região. Ele observa que o número de estrangeiros vindos com a Copa do Mundo cresceu, e constata que nem todos retornaram a seus países de origem depois do mundial.

Pépe Joufi concorda. Há um ano e meio ele veio do Senegal para o Brasil. Sobrevive vendendo artesanato na região da praça da republica. O senegalês conta que no mundial viu muitos conterrâneos vindo para cá e permanecendo no Brasil.

Ele mora numa ocupação na região Central de São Paulo. Por um quarto no prédio invadido, paga cerca de R$ 250,00 por mês.

As ocupações se tornaram alternativa comum a estes imigrantes. Com dificuldades de arrumar a documentação necessária para locar um imóvel e ainda pagar preços elevados de alugueis, eles optam por viver em prédios invadidos pelos movimentos de luta por moradia.

Na última semana, Florence Rwenzo viu os poucos pertences que tinha ficando para trás. O prédio em que vivia era ocupado por integrantes do Movimento dos Sem Teto de São Paulo. No meio da madrugada, a polícia chegou ao local para cumprir um mandado de reintegração de posse.

Florence, que veio da Uganda para o Brasil há seis anos, tinha outros amigos estrangeiros na ocupação. Todos eles relatam que encontrar um lugar para viver é um dos maiores desafios no País.

A vinda de Florence e de dois amigos dela naturais de Camarões retrata bem uma mudança no perfil da imigração africana no Brasil: se há cerca de quatro décadas ela era feita, principalmente, por grupos de nigerianos e angolanos com o objetivo de estudar ou fazer negócio no setor coureiro calçadista, hoje eles vêm dos mais variados países da África e com objetivos diversificados.

Helen Braun
(editado)

(CBN – 25/11/2014)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: