MEMÓRIA ONLINE

Universidade do Líbano cria acervo digital da imigração daquele país na Argentino e no Brasil.

A Universidade Saint-Esprit de Kaslik (Usek), de Jounieh, no Líbano, está levando adiante projeto de criação de um arquivo digital sobre imigração libanesa na América Latina. No final de fevereiro começou a preparação para a coleta de documentos na Argentina, o que deve ser feito também no Brasil no segundo semestre, segundo o diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina (Cecal) da instituição de ensino, Roberto Khatlab, que esteve em Buenos Aires e se encontra no Brasil.

O arquivo digital fará parte da Biblioteca Central da Usek e ficará disponível ao público para acesso gratuito e online. O objetivo é digitalizar documentos, registros e fotos sobre a imigração de publicações de clubes da colônia sírio-libanesa ou de acervos particulares.

A universidade pretende trabalhar com parcerias em cada país. Na Argentina, o projeto será levado adiante pela Fundação Nínawa Daher, instituição que leva o nome da jornalista argentina com ascendência libanesa Nínawa Daher. A profissional era popular no país e morreu em 2011 em um acidente de carro. A fundação cuida, entre outras coisas, da publicação de seus escritos.

Roberto Khatlab esteve na Argentina de 20 a 26 de fevereiro, acompanhado do chefe do Departamento de Digitalização da Biblioteca Central da Usek, Georges Habchi, que segue no país sul-americano dando treinamento sobre a digitalização. O diretor da Cecal conta que o trabalho terá o padrão internacional já utilizado pela universidade libanesa.

Durante a passagem pela Argentina, o embaixador libanês no país, Antonie Andery, esteve com Khatlab e Habchi e reuniu representantes das diferentes entidades ligadas à colônia para pedir que participassem do projeto. Esse trabalho deve resgatar tanto dados sobre a história libanesa como dos países para os quais os imigrantes se dirigiram, lembra Khatlab.

No Brasil, ainda não está definida a instituição parceira na pesquisa. O diretor da Cecal, no entanto, afirma que as pessoas da comunidade que tiverem acervos antigos e gostariam de disponibilizá-los para o projeto, podem contatá-lo pelo email robertokhatlab@usek.edu.lb.

O plano todo deve levar de cinco a seis anos para ser concluído, segundo o diretor da Cecal. A ideia do projeto foi de Khatlab e teve apoio do reitor da Usek, Hady Mahfouz, e do diretor da Biblioteca Central, Joseph Mokarzel. A biblioteca à qual o Projeto de Digitalização do Patrimônio Histórico Cultural Libanês está vinculado já tem um espaço com publicações sobre América Latina.

Em sua passagem por São Paulo, nesta quarta-feira (04/03), Roberto Khatlab visitou a sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e foi recebido pelo diretor geral Michel Alaby. Khatlab é paranaense, mas mora no Líbano.

Isaura Daniel

(ANBA – 05/03/2015)



Categorias:diásporas

%d blogueiros gostam disto: