DE PORTO PRÍNCIPE À CIDADE DOS PRÍNCIPES

Em busca de trabalho, haitianos são maioria entre estrangeiros em Joinville (SC).

Os haitianos somam o maior número de estrangeiros trabalhando na cidade do Norte catarinense. Segundo reportagem da RBS TV, a Polícia federal estima que 800 estejam aguardando resposta do pedido de visto de permanência. Apesar disso, nem a prefeitura, nem o governo do estado têm o número exato. Hoje, 300 estão com toda a documentação em dia.

A maioria veio para o estado depois que um terremoto devastou o país. O cismo registrado às 16h53 (hora locak – 19h53 de Brasília), no dia 12 de janeiro de 2010, teve o epicentro a poucos quilômetros da capital, Porto Príncipe. Mais de 200 mil pessoas morreram, outras cerca de 300 mil ficaram feridas e mais de 4 mil sofreram amputações.

Nos últimos cinco anos, o país tenta se reerguer e milhares de moradores deixam a nação de origem para recomeçar a vida em outros países. O Brasil, lidera as forças militares da Organização das Nações Unidas naquele país.

Em busca de trabalho

De 2010 pra cá, o Ministério do Trabalho e Emprego já concedeu milhares de autorizações pra concessão de visto com caráter humanitário aos haitianos. E Santa Catarina é um dos estados mais recebem essas pessoas.

“Quanto o terremoto passou, o país ficou triste. Acabou com muitas famílias, elas perderam suas casas, perderam bastante coisa”, recorda Pierre Romelien Romelus, de 47 anos e que trabalha como auxiliar de carregamento de Joinville.

Pierre Jean Wildor, assador de pizza também conseguiu se estabelecer em Joinville. Há um ano, ele deixou o Haiti em busca de trabalho. “Foi rápido. Fiquei em casa por cinco dias e depois comecei a trabalhar em uma pizzaria, onde estou até hoje”.

Mas essa não é a realidade de todos os haitianos. André Micius está há pouco mais de um ano e meio no Brasil. Quando chegou, encontrou trabalho rapidamente, mas agora diz que sente dificuldade.

“Eu tenho um amigo que falou comigo por telefone para perguntar se a situação do Brasil tinha melhorado. Melhorou. Mas eu digo que a crise ainda está aqui. É necessário deixar o momento passar. Eu faço oração a Deus para trazer bênçãos sobre o Brasil”, reflete Micius, que espera ter, aqui em Joinville, serviços como educação e saúde para toda a família.

Um grupo de uma igreja da cidade tenta ajudar os imigrantes que não têm emprego ou precisam de outros apoios. Rejane Schatzmann é voluntária há um ano. Segundo ela, 200 haitianos já foram atendidos. Ela conta que os haitianos geralmente chegam a Joinville sem trabalho e sozinhos, e com a esperança de uma vida melhor. São reservados, e na maioria dos casos sonham em trazer a família pra viver aqui.

“Na maioria das vezes eles já têm alguém no Brasil, na cidade, e acaba vindo junto, tem alguns que chegam e no mesmo dia já conseguem emprego pq já trabalham conseguem trabalho com outra pessoa que está morando junto e na questão de trabalho eles vão atrás, procuram o Sine, e todas essas empresas de RH, eles vão à luta mesmo”, explica.

Visto de permanência

De acordo com o agenda da Polícia Federal Fabiano José Rohr, muitos haitianos conseguem entrar no Brasil com visto de permanência emitido pelo Consulado Brasileiro no Haiti e se registram assim que chegam. Mas há outros que vêm para o país sem autorização prévia e o processo acaba sendo diferente.

“Agora têm vários outros haitianos que estão em condição diferente. Eles entraram no Brasil, pediram refúgio e estão sendo avaliados os processos no Ministério da Justiça. Esses precisam comparecer de tempos em tempos pra gente verificar se tem alguma novidade no processo deles”.

(G1 – 01/05/2015)



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