OS NOVOS BRASILEIROS

‘Refugiados não voltarão para casa’, diz filho de árabe sobre sírios no Brasil.

O jornalista e professor aposentado Alberto Isaac, de 90 anos, conhece de perto os efeitos da vida de refugiado. Ele é filho de imigrantes libaneses que, em 1906, vieram ainda jovens morar no interior de São Paulo durante ocupação e repressão do império otomano no Líbano.

Segundo ele, o pai, Abrahão Isaac, e a mãe, Bahija Raid Isaac, “fugiram da miséria.” Assim como aconteceu com os antepassados de Isaac, os cerca de 2 mil refugiados sírios que estão no Brasil “não devem voltar para casa”, opina ele, que atualmente é comerciante.

“Eles irão se adaptar rapidamente. Até mesmo a língua, uma dificuldade, será vencida porque o povo árabe é autodidata. Acredito que, assim como meus pais, os atuais refugiados se tornarão também brasileiros”, comenta.

Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), desde o começo da guerra civil, em 2011, até agosto deste ano, 2.077 refugiados da Síria estão vivendo em cidades nacionais.

“Os motivos para a imigração são diferentes, hoje a guerra civil é uma tragédia. Mas a não ser que as coisas melhorem no país em pouco tempo, acho que essas famílias continuarão a viver aqui”, conta Isaac.

O professor aposentado acredita que caso o número de refugiados no Brasil aumente, a população, cultura e economia brasileiras é que “vão sair ganhando”. Regionalmente, a presença dos árabes foi fundamental para o desenvolvimento, afirma Isaac.

“Foram muito importantes no século passado para a formação de São Miguel Arcanjo (SP) e também no crescimento de Itapetininga. Os árabes são trabalhadores, progressistas, pessoas de bem. Mesmo com diferenças culturais e religiosas, eles não devem sofrer preconceito. Acho que serão bem recebidos por todos e vão contribuir com o país, porque amam a terra onde vivem.”

Caio Gomes Silveira

(G1 – 29/09/2015)



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