INFORMAR É O MELHOR REMÉDIO

Site reúne histórias de refugiados no Brasil para atrair ofertas de emprego.

Alphonse Nyembo Wa Nyembo, 29, é formado em letras e técnico em mecatrônica, nasceu no Congo e vive há três anos em São Paulo, como refugiado. Ele diz que deixou seu país porque fazia parte de um movimento estudantil contra o governo e estava sendo perseguido.

Apesar de única, sua história não é incomum. Ela é contada no site “Estou Refugiado”, que reúne relatos de cerca de 50 imigrantes que estão no Brasil e dizem ter boas qualificações profissionais. Muitos, porém, têm dificuldade para comprová-las por falta de documentos.

São professores, médicos, engenheiros, técnicos, entre outros, que fugiram de locais como Palestina, Síria e Haiti. Todos estão em busca de um emprego fixo, principalmente na área de sua formação.

No ar há quase um mês, a página foi criada pela publicitária Luciana Capobianco e pela jornalista Gisela Rao, que tiveram a ideia no final do ano passado e a conduzem em seu tempo livre.

“Queríamos uma plataforma que individualizasse as histórias de alguns refugiados e tentar inseri-los no mercado de trabalho na profissão que exerciam no país deles”, conta Capobianco.

Site encaminha ofertas de emprego a entidades

Não são elas, porém, que fazem a ponte direta entre o refugiado e os possíveis empregadores. No site, é possível mandar ofertas de trabalho por e-mail. Essas vagas são encaminhadas a entidades que cuidam da questão, trabalhando pela recolocação profissional desses refugiados.

A publicitária afirma que a iniciativa já está dando retorno. Ela recebeu mensagens de empresários de Alagoas, São Paulo e Minas Gerais. Nenhum dos refugiados, porém, conseguiu emprego por causa do projeto, ainda.

Quando contou sua história ao site, Nyembo dava aulas particulares de inglês e francês e procurava emprego fixo em sua área. Agora, continua como professor à noite, mas conseguiu um estágio em uma empresa de bombas hidráulicas.

Empresa tem vagas para refugiados

Entre os empresários que foram impactados pelo “Estou Refugiado” está Carolina Detoni, diretora administrativa da empresa de logística Total Service, de Araguari (MG).

Ela entrou em contato anunciando 12 vagas de emprego na empresa. “A gente começou a pesquisar na região uma maneira de ajudar, empregar, devolver a dignidade para essas pessoas que estão vindo para o Brasil”, afirma a diretora. “Minha dificuldade é que aqui não há refugiados e não existe uma ONG para auxiliar empresários que querem ajudar.”

As ofertas que ela tem atualmente, porém, não são no perfil das pessoas cujas histórias estão contadas no site. “Eu não tenho posição para gente muito qualificada. A empresa tem 190 funcionários, sendo que 180 é de chão de fábrica”, diz Detoni.

Mesmo assim, as ofertas serão encaminhadas para entidades que cuidam da inclusão de refugiados, segundo Capobianco.

Vídeo mostra preconceito contra refugiado no Tinder

Para chamar atenção para o problema de preconceito contra refugiados, Luciana Capobianco e Gisela Rao também produziram um vídeo estrelado por Alphonse Nyembo.

Nyembo instalou o aplicativo para encontros Tinder no celular. Sem citar que é um refugiado em seu perfil, disse que conseguiu mais de 30 contatos em uma semana. Depois, modificou o perfil, citando que é um refugiado. Desta vez, afirma que foram três contatos em uma semana.

Ricardo Marchesan

(UOL – 07/10/2015)



Categorias:refugiados

%d blogueiros gostam disto: