[Clipping] Destaques de junho/2019: pedidos de refúgio; Dia Mundial dos Refugiados; torcedores na Copa América; xenofobia em Roraima

Selecionamos algumas das principais notícias veiculadas na mídia durante o mês de junho de 2019.

Número de pedidos de refúgio no Brasil cresce 136% em 2018

O Brasil ocupa a sexta posição no ranking de países que mais recebem novos pedidos de refúgio, atrás de Estados Unidos, Peru, Alemanha, França e Turquia. É o que revela o relatório internacional Tendências Globais, organizado anualmente pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), divulgado em julho.

Segundo matéria publicada no jornal O Globo, em 2018, o Brasil registrou 80 mil novas solicitações de refúgio – sendo que 61,6 mil foram realizadas por venezuelanos – contra 33,8 mil em 2017, o que representa um aumento de 136%. De acordo com a matéria, o Brasil possui 11.327 refugiados reconhecidos, enquanto 152.690 pessoas aguardam a resolução dos processos de solicitação.

Celebrações do Dia Nacional do Imigrante e do Dia Mundial do Refugiado

Junho é um mês importante para a temática das migrações: nesse período, são celebrados o Dia Nacional do Imigrante e o Dia Mundial do Refugiado. Destacamos alguns dos eventos realizados para lembrar as datas em duas capitais brasileiras.

No Rio de Janeiro, a semana entre os dois marcos contou com diversos eventos multiculturais espalhados pela cidade. No dia 20, em que se celebra a trajetória e a vida dos refugiados, o SESC Rio – em parceria com o PARES Cáritas RJ, a feira Chega Junto e o curso de idiomas Abraço Cultural – realizou a terceira edição do Rio Refugia, evento que propõe a troca de experiências culturais e a fraternidade dos brasileiros com os “novos cariocas”.

Os museus do Rio também foram espaço de celebrações. No dia 26, no Centro Cultural Correios, foi inaugurada a mostra “Em casa, no Brasil”, que trouxe uma unidade habitacional utilizada em campos de refugiados, ao lado de depoimentos de pessoas em situação de refúgio que vivem no país. Por sua vez, o Museu do Amanhã também recebeu obra especialmente para a data, como mostra matéria do G1. A instalação produzida por Serge Makanzu Kiala, artista plástico refugiado nascido na República Democrática do Congo, foi exposta no átrio do museu. A obra, composta por itens de sobrevivência transportados durante a migração, pretendia sensibilizar o espectador e propor reflexão sobre as condições de travessia dos refugiados para outras regiões.

Imagens da exposição “Em casa, no Brasil”. Foto: ACNUR/Estou Refugiado

Já em Brasília, no dia 25, data em que se comemora o Dia do Imigrante, ONGs promoveram uma feira de cultura, arte e gastronomia, como relata o portal G1. Em uma tarde de declamações de poesias, exposições artísticas e culinária, o evento aberto ao público ofereceu espaço de confraternização entre brasilienses e imigrantes que residem no Distrito Federal.

Para mais informações sobre eventos realizados no período, acesse aqui a matéria do portal das Nações Unidas.

Copa América 2019 sediada no Brasil tem protagonismo do torcedor imigrante

A Copa América sediada no Brasil, que teve início no dia 14 de junho e se encerrou no dia 7 de julho, reuniu times de toda a América do Sul e, neste ano, exclusivamente, teve a participação da seleção do Catar e do Japão. O torneio, caracterizado pelos estádios vazios devido aos ingressos caros, teve as ruas como alternativa para a torcida, que contou com forte presença de torcedores imigrantes sul-americanos que agora moram no Brasil, empolgados com a visita de suas seleções ao país onde vivem.

A Copa estreou com o jogo entre Brasil e Bolívia no estádio do Morumbi, na cidade de São Paulo, onde estima-se que vivam mais de 250 mil imigrantes bolivianos. De acordo com o jornal O Globo, os bolivianos residentes no Brasil ficaram com o coração dividido entre torcer para o seu time do país natal ou para o do país onde vivem atualmente, apesar de, nele, ainda sofrerem com o preconceito.

Os imigrantes venezuelanos também vibraram com a atuação positiva da seleção Vinotinto. Mesmo com a crise em seu país natal, a xenofobia que sofrem aqui e os desafios diários como refugiados, os torcedores venezuelanos foram com força aos estádios nos dias de seus jogos, como mostra a matéria da IstoÉ. Na partida contra a Bolívia que ocorreu no Mineirão, a gestora do estádio convidou refugiados que moram na Casa do Migrante, um centro de acolhimento em Belo Horizonte, para comparecerem ao jogo, que ficou lotado com as bandeiras daquele país.

Brasileiros revelam-se mais tolerantes à entrada de refugiados que a média internacional

O Brasil é o país mais tolerante à entrada de refugiados em relação à média global, segundo matéria da BBC Brasil. Os dados foram coletados pela pesquisa do Instituto Ipsos, que ouviu 18 mil pessoas, em 26 países. Mais da metade dos entrevistados acham que o Brasil não deve fechar a fronteira. Entretanto, na média da porcentagem dos 26 países, 40% dos entrevistados defenderam o fechamento da fronteira a refugiados.

De acordo com a avaliação da diretora do Ipsos, Sandra Pessini, “o número de refugiados no Brasil cresceu muito, mas, em proporção à sua população, o país talvez não tenha sido tão impactado pela migração quanto países como Turquia e Alemanha, que, com populações bem menores, receberam número maior de pessoas”. Para 61% dos entrevistados nos 26 países, as pessoas têm direito a buscar refúgio em outros países para fugir da guerra e da perseguição. Todavia, no Brasil, 40% acreditam que a maioria dos estrangeiros que fazem pedido de refúgio no país querem entrar por razões econômicas ou para se beneficiar dos serviços.

Comitê para Migrações divulga nota em repúdio à xenofobia praticada pela Assembleia Legislativa de Roraima

Roraima vive situações de xenofobia praticadas por agentes públicos em espaços institucionais, de acordo com reportagem do site Amazonas Atual. Por isso, durante as celebrações dos Dia Nacional do Imigrante e o Dia Mundial do Refugiado, o Comitê para Migrações de Roraima (COMIRR) – formado por diversas instituições da sociedade civil que buscam acompanhar e defender os direitos dos migrantes – lançaram nota contra o “Relatório da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Legislação Participativa sobre os impactos no Estado de Roraima, decorrentes da crise migratória venezuelana”, proposto pelo Poder Legislativo.

A nota do COMIRR, entre tantos motivos, visa remediar as situações ruins para as pessoas migrantes, contrapondo diversos argumentos do relatório legislativo. Com as questões ligadas à saúde, por exemplo, o relatório apresenta, sem o registro de fontes, que os serviços de saúde pioraram por conta da entrada de venezuelanos no estado, questionando também o cadastro do SUS (Sistema Único de Saúde), que registrava todos como se fossem brasileiros.

O relatório destaca também a volta de doenças erradicadas no Brasil e atribui a falta de leitos nos hospitais do estado aos migrantes e suas necessidades de atendimento. O COMIRR rebate os argumentos do Poder Legislativo ao citar a Constituição Federal Brasileira. O artigo 5º, como destaca o Comitê, visa garantir que todas as pessoas brasileiras ou estrangeiras que residam no Brasil tenham acesso a direitos vistos como fundamentais, como à vida digna e à saúde. E diz que os problemas no sistema de saúde devem-se a um sistema público precário. Leia a matéria completa no Amazonas Atual.

Ana Luiza Petacci, Rafael Vasconcelos, Mayra Bragança e Júlia Izecksohn.
Supervisão de Fernanda Paraguassu.

 

 

 

 



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