Um texto publicado em homenagem ao Dia das Mães, celebrado no Brasil no segundo domingo de maio. Alguns países, como Uruguai e Estados Unidos, seguem a mesma data, outros comemoram em outros dias, como Argentina (20 de outubro), Portugal e Cabo Verde (primeiro domingo de maio) e Grécia (7 de abril). Quem escreve é a Gabriela Aguiar, mãe e migrante interna.
Mãe não é tudo igual, isso a gente já sabe. Amor de mãe também não é instintivo, é construído de diversas formas, incluindo a distância. Algumas mães estão, neste momento, enfrentando uma enchente que alaga os olhos, derruba tudo e parece não ter fim. Essas mães tiram forças de onde nem suspeitavam, mas precisam de apoio para continuar.
Existem as mães que já se foram e mães de filhos que já não estão. Nesses casos, o sofrimento é diferente e a saudade não tem como ser amenizada com a tela, então o colo de quem está presente pode ser um abraço para que haja celebração do amor e carinho que seguem. Quando a ausência se impõe, mães abraçam filhos que também passam a ser delas. Em alguns casos, outra pessoa assume o papel de maternagem, embala e protege nossos sonhos, apoia os esforços, assopra os machucados que enfrentamos no caminhar diário, sejam eles na pele ou daqueles que a gente não consegue enxergar.
Mas muitas mães também fazem essa maternagem de longe, em contextos de migração, separadas dos filhos por muitas ou poucas léguas. Um dos desafios de ter a mãe-migrante ou o/a filho/a-migrante é superar a saudade, o contato mais frequente com a pele, poder sentir o cheiro, o olhar sem uma tela entre nós. O outro é enfrentar os dias festivos – ah, e o Dia das Mães, como fica? A gente pode criar novas tradições familiares – e todo ano temos uma oportunidade para dar início a uma: sentar-se naquele banco da nova cidade e comer algo que o outro gostaria de provar, escrever um poema, mandar um cartão, um beijo, almoçar junto via tela ou só ir até o mar e olhar o infinito azul e verde e enviar o amor em forma de pensamento e desejo. Que você possa, à sua maneira, construir sua própria celebração.

