Ontem, quarta-feira (10/06) foi dia da Imigração Portuguesa no Brasil. Para celebrar esta data, o O Estrangeiro traz uma entrevista exclusiva com a escritora Fenanda Hamann, autora do romance de ficção “Zuca”, publicado em 2025 pela Editora Urutau.

Capa de Zuca (2025) por Fernanda Hamann

Fernanda Hamann é escritora, psicanalista, jornalista e professora carioca, colunista do jornal português Público. É graduada em jornalismo pela UFRJ, em Psicologia pela PUC e escreve ficção há mais de 25 anos.

A obra acompanha Bárbara, uma advogada carioca que se muda para Lisboa após seu filho presenciar um tiroteio em uma praça, e também para fugir de um processo por crime de racismo cometido contra um cotista. Lá, ela se vê obrigada a aceitar sua condição de “zuca”, termo que pode significar uma pessoa parva, amalucada, alguém que bebeu demais ou, simplesmente, um brasileiro. O romance é narrado em primeira pessoa; acompanhamos de perto os pensamentos da personagem. Inclusive, a proximidade é tamanha que vemos a personagem corrigindo o “seu brasileiro” a todo momento para se adequar à sociedade portuguesa: bairros tornam-se freguesias; endereços tornam-se moradas; galeras tornam-se maltas; entender torna-se perceber. A linguagem, como um todo, torna-se um vírus mental — como aponta o escritor estadunidense William S. Burroughs —, uma infecção que se alastra pela língua e pela mente da personagem, que se vê obrigada a censurar seus próprios pensamentos, o que aparece representado graficamente através de rasuras, na forma de texto tachado, que permeiam as páginas do livro.

A entrevista pode ser assistida na íntegra no canal de YouTube do O Estrangeiro.