FAMÍLIAS LATINAS EM PORTO ALEGRE

Aspectos psicossociais da imigração familiar na Grande Porto Alegre.

Neste artigo apresentam-se alguns aspectos psicossociais presentes no processo migratório de seis famílias hispano-americanas na região metropolitana de Porto Alegre. Estes aspectos, relatados através de entrevistas semi-estruturadas com os integrantes das famílias, indicam os principais tópicos que nortearam as entrevistas: suas trajetórias migracionais, decisão de imigrar, sua inserção na cultura local, suas relações comunitárias, identidade e expectativas de vida. São analisadas as formas como ocorrem as transições aculturativas no contexto local.

Os resultados encontrados neste estudo demonstram a importância de repensarmos a questão da inserção de grupos minoritários na sociedade brasileira. Assim como se tem avançado em relação à diminuição de diferenças historicamente importantes em relação a grupos marginalizados pela sociedade brasileira, a atenção às diferenças culturais e étnicas também deve ser considerada como foco de ação pela psicologia.

Assim como outros segmentos historicamente marginados (como as mulheres, as populações indígenas e de afro-descendentes, por exemplo), que, em seu momento, conseguiram reivindicar e alterar uma série de estereótipos e preconceitos sócio-culturalmente construídos, os grupos de imigrantes também devem ser considerados como metas no processo de inclusão e desenvolvimento social do Brasil.

Um dos espaços mais privilegiados para a avaliação e reprodução das influências culturais, partindo-se da perspectiva da teoria dos sistemas ecológicos, é o espaço do microssistema familiar. Assim como a escola, as organizações laborais, os sistemas comunitários, a família fornece uma série de elementos psicossociais, fundamentais para o desenvolvimento de seus membros, conforme apontam os participantes da pesquisa.

É possível que a família muitas vezes se veja ameaçada no que possui de mais fundamental: dar a seus membros a identidade de base suficientemente segura para enfrentar os acontecimentos da vida. A família imigrante precisa reordenar, dentro de um novo contexto cultural, dimensões muito particulares da experiência humana: tempo de vida, de aprendizagem, de educação, de reprodução, etc., que na atual conjuntura social, muitas vezes ficam a cargo de outras instituições sociais.

O marco dos sistemas ecológicos permite estudar a família como um sistema imerso dentro de outros sistemas. Em um sistema e, portanto, nas famílias, cada elemento afeta a outros e é por sua vez afetado por eles em uma espécie de equilíbrio circular que, uma vez estabelecido, tende a manter-se.

No processo de inserção na comunidade de acolhida os relacionamentos interpessoais e a forma de dirigi-los são fundamentais, tanto como fator mediador, quanto como fator preditor de saúde mental e desenvolvimento saudável.

Este estudo, portanto, direciona-se à compreensão de aspectos práticos da inserção de imigrantes em contextos de nossa comunidade, no que se consideram suas trajetórias e os aspectos identitários e culturais envolvidos no processo de inserção.

É fundamental, a partir desse quadro, que sejam desenvolvidos programas de inserção, assessoria e suporte ao local que funciona como “pano de fundo” para essas situações: a comunidade de acolhida. A comunidade deve ser instrumentalizada para poder mediar de forma mais eficaz o processo de inserção social por que passam imigrantes e demais “diferentes”.

Jorge Castellá Sarriera, Adolfo Pizzinato e María Piedad Rangel Meneses

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Categorias:imigrantes

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