IMIGRAÇÃO TUELADA DOS JAPONESES

MIGRAÇÃO JAPONESA PARA O BRASIL. UM EXEMPLO DE IMIGRAÇÃO TUTELADA-1908-1941.

A imigração japonesa para o Brasil se inicia em 1908 quando os primeiros 781 imigrantes chegam ao porto de Santos. Daquele ano em diante, 234.000 imigrantes se fixam em todas as partes do país, mas sobretudo nos estados de São Paulo e Paraná. No início da década de 1990 somavam, com seus descendentes, cerca de 1.200.000 de pessoas.

Ao longo desses 90 anos, os imigrantes japoneses sempre tiveram a sua identidade marcada por suas diferenças com a sociedade brasileira. O parâmetro para marcar essas diferenças são aqueles que se referem às distâncias geográfica e cultural entre o grupo e a sociedade receptora. São diferentes, estranhos para os brasileiros.

Nos primeiros anos de seu processo de fixação no país, os japoneses convivem com a perplexidade, enfrentam desconfianças, críticas e elogios. Na atualidade, quando a terceira geração está em idade adulta, o estranhamento às diferenças estão esmaecidas, sobretudo pela convivência sem grandes atritos na sociedade em que vivem.

No entanto, o período entre 1908 até a II Guerra Mundial tem um peso singular na construção da identidade dos imigrantes japoneses no Brasil. É quando afloram indagações sobre como imigrantes, com uma bagagem cultural e histórica tão diferente, poderiam vir a fazer parte da sociedade brasileira. Sua aceitação no Brasil portanto, é o ponto mais crucial. Por isso, são empreendidos esforços coletivos para que fosse rápida e eficiente. Ela se concretiza primordialmente através da sua identificação com o nicho econômico da agricultura. Com isso, o problema das diferenças culturais se esmaece diante do sucesso na atividade econômica: a presença desses imigrantes se justifica por sua contribuição ao desenvolvimento da agricultura em São Paulo.

É neste ponto que uma análise da imigração japonesa no Brasil, vista como uma imigração tutelada, contribui para a compreensão de uma primeira etapa do processo de superação das desconfianças e do estranhamento inicial. É tutelada, porque é amparada desde o início, por meio de orientações, ajuda e gerência dos representantes do governo japonês. A imigração japonesa se diferencia das outras que escolhem o Brasil, por se estruturar sobre uma cadeia de relações montada a partir do topo da estrutura estatal japonesa até chegar aos imigrantes no Brasil. O governo japonês, através de seus diferentes ramos e agentes, participa explicitamente do processo de fixação desses imigrantes, para que ele ocorresse com sucesso.

A imigração japonesa para o Brasil é uma imigração dirigida, subsidiada e estimulada por ambas as pontas da corrente: o Japão e o Brasil. Cada país tem os seus interesses próprios, que se coadunam com o momento histórico em que se desenrola. Para a compreensão desse quadro, é necessário retornar ao final do século XIX, onde estão presentes as raízes do processo.

Célia Sakurai

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