ESTUDANTE AFRICANA FALECIDA NÃO CONSEGUE SER TRANSLADA

O episódio lembra as dificuldade de estudar no exterior e a necessidade de organizar o setor no Brasil. 

Uma estudante de Guiné-Bissau, que morava em Fortaleza há 4 anos, morreu na última quinta-feira (24/04) e, desde então, um grupo de amigos, junto a entidades filantrópicas ligadas à população africana, está buscando auxílio financeiro para que seu corpo seja trasladado de volta ao país de origem.

Ciserina Santos, de 29 anos, sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC) e acabou morrendo no Hospital César Cals. A estudante, que estava grávida de 4 meses, havia concluído a graduação em Tecnologia da Informação no fim do ano passado e se preparava para começar um curso de especialização.

De acordo com o presidente do Movimento Pastoral Africano, Alberto Imbunde, o corpo já está em uma funerária, mas ainda existem pendências financeiras para que ele seja encaminhado ao país africano. “Estão faltando muitos recursos ainda para mandar (o corpo). Para que se tenha ideia, o corpo precisa ser mandado a Senegal, para, de lá, ir até Guiné-Bissau. Só para mandar o corpo até Senegal, é preciso cerca de R$ 16 mil. No total, precisaremos de R$ 25 mil”, afirma.

Alberto relata que já buscou ajuda junto ao consulado de Guiné-Bissau no Brasil, mas o órgão disse não ter estrutura nem verba para dar suporte ao caso. A transição de governantes do país africano neste momento, segundo Alberto, é outro problema que dificulta algum tipo de auxílio oficial. “A maior dificuldade é que o governo de Guiné-Bissau foi eleito na semana passada nem sequer foi empossado ainda, então tudo isso complica para que se consiga alguma ajuda”, conta.

Companheiro da estudante diz que família encontra-se abalada. Arafam Mane também mora em Fortaleza e namorava Ciserina há 5 anos. Segundo ele, no dia 21 de março a estudante deu entrada no Hospital César Cals, com suspeita de dengue. “Ela chorava muito, tinha febre e dor de cabeça. Ficou internada e, na madrugada do dia seguinte, me ligaram dizendo que ela havia perdido o bebê. Depois teve uma infecção urinária e foi para UTI. Conseguiu se recuperar e foi para a enfermaria, mas, na semana passada, teve um sangramento na cabeça e acabou morrendo”, relata.

Ainda segundo Arafam, a família de Ciserina tem sofrido bastante com a indefinição do caso. “Tá todo mundo abalado. Inclusive uma irmã dela está aqui em Fortaleza desde que ela foi internada. Ainda falta muito dinheiro para que a gente consiga este traslado e não podemos contar com a ajuda de ninguém porque ela não estava no programa de estudantes estrangeiros”, disse.

Consul de Guiné-Bissau diz que não pode intervir no caso

De acordo com o consul honórário de Guiné-Bissau, Tcherno Ndjai, o governo bissalês não pode fazer nada para ajudar no traslado da estudante. Para ele, a solução é continuar as campanhas de arrecadação. “Não tem saída. Isso é uma coisa pessoal e não existe fundo de nenhum país do mundo para isso. Estado nenhum tem este tipo de orçamento”, disse. Tcherno afirma que outra solução para o caso é realizar o sepultamento do corpo em Fortaleza. “Eu sei que o ideal é o corpo ir para Guiné, mas, se não der, o jeito será fazer o enterro aqui mesmo. Sei que é muito bonito a família poder se despedir do corpo, passar os últimos momentos juntos, mas, se não há dinheiro para isso, o prático é sepultar em Fortaleza mesmo”, completou, afirmando que, nos últimos 3 meses, mais dois estudantes de Guiné-Bissau morreram na Capital cearense e conseguiram o traslado através de campanhas de arrecadação.

Quem quiser ajudar no transporte do corpo da estudante pode efetuar depósitos em duas contas:

Banco do Brasil: Agência 2925-4 / Conta Corrente: 23599-7 (Favorecido: Ciserina Santos)

Caixa Econômica Federal: Agência 1559 / Operação 013 / Conta Poupança 13881-3 (Favorecido: Associação de estudantes de Guiné-Bissau).

(Diário do Nordeste – 28/04/2014)

 



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