NO CRUZAMENTO DO MUNDO

Imigrantes que escolheram São Paulo para viver estão ansiosos para Copa.

O Brasil vai receber cerca de 600 mil turistas de outros países durante a Copa, mas muitos estrangeiros vivem aqui e estão ansiosos com a vinda das seleções dos países de origem deles. A nova série do Bom Dia Brasil vai mostrar a história de alguns desses imigrantes.

São Paulo é imponente, mas não só pelo concreto. Ao todo, 11 milhões de pessoas vivem no maior polo econômico e cultural do país. São Paulo não é conduzida, São Paulo conduz.

É por isso que em São Paulo, no dia 12, vai começar a Copa. Não haveria cidade brasileira melhor para abrir um evento desta proporção, afinal nenhuma outra retrata tão bem o mundo como São Paulo. Ela é japonesa, africana, italiana. Ou tudo isso ao mesmo tempo.

São Paulo é um cruzamento do mundo. Esta é uma cidade que foi e ainda é feita por ideias e culturas de pessoas de todo o planeta.

O japonês é a única língua da Osame Yoshioka, apesar de ela já estar no brasil há quase 67 anos. Desde outubro de 1937, é moradora de uma casa em Itaquera, bem ao lado da Arena Corinthians.

O tempo passou, o lugar cresceu, mas ela não mudou. Aos 101 anos, Osame diz que nunca precisou aprender o português porque raramente saia de casa. Ela fugiu da pobreza que assolava o Japão pouco antes do começo da segunda guerra mundial. “Nesta época, gente pobre era marginalizada por lá. Tive que procurar uma saída”, conta Osame Yoshioka.

São Paulo também foi a escapatória encontrada pelos pais croatas de outra família: o pai, Ivan, veio para o Brasil em 1947. Se apaixonou por Stéfane ao ver uma foto mostrada por uma amiga. O problema é que ela estava em um campo de refugiados da Segunda Guerra, na Áustria. “Ele viu uma foto bonita e a partir de então ele investiu no objetivo que era trazer minha mãe para cá”, explica Dubravka Suto, filha de croatas.

Assim, começou uma troca de cartas entre eles. Em uma delas, Ivan usa o seguinte argumento para convencer Stéfane: “Este é um país promissor e de muitas oportunidades. Aqui, não se abre o jornal para ler sobre a guerra, mas sim para saber como está o futebol. No Brasil há paz!”.

A carta é de agosto de 1950, apenas um mês depois da derrota do Brasil para o Uruguai, na final da primeira Copa realizada no país. A tática do Ivan deu certo. Afinal, 64 anos depois, os filhos e os netos do casal já estão prontos para ver Brasil e Croácia, no primeiro jogo, da segunda Copa no Brasil.

A Croácia fazia parte da antiga Iugoslávia. Uma guerra civil, no começo dos anos 90, devastou e dividiu o país em seis outros. A Bósnia também é um deles.

Jovanovic a esposa Denana tinham 30 anos quando resolveram fugir da Iugoslávia. “Toda guerra é um absurdo, mas guerra civil é o absurdo dos absurdos. Eu não quis pegar em armas. Eu falei: ‘Quando o negócio começar para valer, eu vou sair daqui, porque não quero atirar em vizinhos’”, relembra Javanovic

O casal tinha um destino definido. “A gente veio para São Paulo procurar emprego porque você tem que sobreviver, você tem que trabalhar e onde você mais tem chance é em uma cidade grande”, diz Denana

Depois do fim da guerra, eles viraram bósnios, mas continuaram a viver no Brasil. Voltam só para visitas. Em uma delas, eles viram a classificação do país para a Copa. “Nessse momento, a Bósnia é um país com muitas dificuldades econômicas, tem cicatrizes muito feias ainda, tem muitas divisões. Mas naquele momento todo mundo se uniu. Era uma alegria geral, eu nunca vi nada igual”, relembra Denana.

São Paulo: uma cidade enorme, frenética, mas é só olhar com calma para encontrar histórias do mundo que estão escondidas.

(G1 – 27/05/2014)



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