IMIGRAÇÃO JAPONESA EM CAMPO GRANDE

Da ferrovia ao cultivo da terra, a história da cidade e a trajetória da comunidade se fundem.

O curso de imigrantes no Brasil, desde o século XIX, interferiu não apenas nos aspectos sociais e identitários do país, mas trouxe novos e importantes realinhamentos econômicos, sobretudo, no que diz respeito ao desenvolvimento das cidades em que firmaram suas comunidades. O caso das colônias japonesas em Campo Grande (MS) é emblemático.

A política adotada pelo governo japonês de enviar trabalhadores para outras partes do mundo, acompanhou o início da modernização do país com a Restauração Meiji, a partir da segunda metade do século XIX. O expressivo crescimento demográfico, em virtude do aumento da qualidade de vida da população, combinado à entrada tardia do Japão na economia mundial capitalista, em 1868, culminaram no esforço do país em incentivar a emigração, o trabalho temporário no exterior e até mesmo a anexação (e colonização) de territórios, como ocorreu na Manchúria e Coreia.

O primeiro grupo de imigrantes japoneses chega ao Brasil em 1908, a bordo do navio Kasato Maru. Os 781 imigrantes aportam em Santos e se estabelecem em todas as partes do país, principalmente em São Paulo e Paraná. Desse total, cerca de 26 famílias migram para o sul-matogrossense, atraídas pelas terras férteis e pouco exploradas até então. Os grupos de imigrantes eram formados, em sua maioria, por trabalhadores pobres da ilha de Okinawa, que mais tarde se tornariam os fundadores da maior colônia japonesa em Campo Grande, em 1914.

A notícia sobre a construção da ferrovia Noroeste do Brasil (NOB) deu nova oportunidade aos imigrantes japoneses desiludidos com o trabalho nas fazendas de café em São Paulo e Minas Gerais. Muitos desses trabalhadores, mais tarde, fixaram residência em Campo Grande, dedicando-se à cultura de seda e produção hortifrutigranjeira.

A história de Campo Grande, sem dúvida, se funde à trajetória da colônia de imigrantes japoneses na cidade, que completou seu centenário em 2014, junto aos 115 anos da capital sul-matogrossense. O legado que a comunidade nipônica trouxe ao centro-oeste é notório, tanto em aspectos econômicos como culturais. Um exemplo é o Festival do Sobá, que acontece na Feira Central de Campo Grande. Sobá é um prato típico japonês, feito com macarrão de trigo sarraceno, caldo de peixe, carne suína ou bovina, shoyu, tiras de lombinho, omelete e cebolinha. O Festival é um dos mais populares do calendário da capital e acontece há 30 anos na cidade, ininterruptamente.

Brunna Arakaki

(oestrangeiro.org)



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