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Blog da Amazônia, divulgou que casos suspeitos de filariose teriam sido descobertos em abrigo de imigrantes no Acre. A doença não passa de pessoa para pessoa; é necessário que o mosquito transmissor seja infectado.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectou 15 casos de filariose, conhecida no Brasil como elefantíase, em grupo de 300 imigrantes haitianos e senegaleses examinados na semana passada no abrigo mantido em Rio Branco (AC) pelos governos federal e estadual. A filariose é uma doença parasitária, exclusivamente humana, provocada por três espécies de vermes nematóides. Os casos detectados ainda aguardam confirmação.

Os imigrantes doentes viajam livremente para São Paulo, sem tratamento, em ônibus que saem diariamente de Rio Branco. A Fiocruz realizou treinamento laboratorial para os profissionais de saúde, coleta de sangue para filariose, malária e mal de chagas. O trabalho foi conduzido pelo coordenador do Laboratório de Filariose do Serviço de Referência Nacional em Filariose da Fiocruz Pernambuco, Abraham Rocha.

A filariose não é uma doença contagiosa, que passa de pessoa para pessoa. É necessário que o vetor, o mosquito, esteja infectado. Para isso, o mosquito precisa sugar o sangue de uma pessoa infectada. Dentro do mosquito, a larva sugada do indivíduo tem que passar um período de maturação, de 14 a 21 dias, até se tornar larva infectante. Quando esse mosquito for sugar o sangue de outro indivíduo, poderá transmitir a doença. Para isso são necessárias muitas picadas do ou dos mosquitos infectados. Portanto, não é um contágio fácil de ocorrer, mas nós temos que trabalhar para que a população não esteja vulnerável e é por isso que se faz necessário a identificação e tratamento dos indivíduos – explicou Abrahm Rocha.

A pesquisa epidemiológica em curso é consequência de um inquérito civil instaurado pelo promotor de Justiça de Defesa da Saúde, Glaucio Oshiro, acerca dos cuidados com a filariose linfática no Acre desde março, quando o abrigo de imigrantes foi centralizado em Rio Branco. O promotor determinou que o procedimento corra sob sigilo para preservação da ordem pública.

Dos 15 casos suspeitos de filariose, foi confirmado que cinco imigrantes já viajaram para outras regiões do país. Neste domingo (28/09), na Chácara Aliança, onde funciona o abrigo, funcionários do serviço de vigilância epidemiológica municipal e estadual tentavam localizar os demais suspeitos de serem portadores da doença para que sejam submetidos a novos exames e possam ser tratados em caso de confirmação.

A reportagem conversou com um jovem haitiano de 23 anos examinado pela equipe da Fiocruz Pernambuco. Ele partiu do Haiti há um mês com destino a São Paulo. Passou pela República Dominica, Panamá, Equador, Peru, e chegou ao Acre há uma semana.

– Tenho um primo que está me esperando em São Paulo, mas fui impedido de seguir viagem por causa da doença. Disseram que terei que fazer novos exames e esperar o diagnóstico definitivo e a medicação. No meu país muita gente tem essa doença, mas fiquei surpreso porque eu nunca havia sido examinado. Vou esperar o ônibus fretado pelo governo estadual, mas se tivesse dinheiro viajaria logo para São Paulo. Quero trabalhar – relatou o jovem.

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Altino Machado

(Terra Magazine – 29/09/2014)



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