ESTRATÉGIAS DE IMIGRAÇÃO

Para africanos, a solicitação de refúgio é, muitas vezes , o único meio de efetivar a empreitada migratória para o Brasil.

Diante dos empecilhos burocráticos que tornam o processo migratório regular para o Brasil quase impossível, os candidatos a residir e trabalhar aqui se vêem na obrigação de ingressar no país e nele se estabelecer por meios e modos alternativos.

Quando se trata de africanos, às das dificuldades gerais e comuns a todos os imigrantes, ainda se acrescenta certo ‘racismo  administrativo’ que expressa amplos panos de nosso inconsciente histórico.

Assim, dos 8.687 pedidos ainda em tramitação no Comitê Nacional para os Refugiados, 57% são de cidadãos do Senegal, Nigéria, Gana e da República Democrática do Congo. Muitos dentre eles não se enquadram na categoria de refugiados, mas buscam melhor qualidade de vida e oportunidades de trabalho no Brasil.

Os dados do Conare sobre refugiados no Brasil revelam ainda que a metade dos pedidos de refugio no País é feita por adultos entre 18 e 30 anos, 90% são homens que neste ano de 2014 vieram do continente africano.

De acordo com a análise feita pela Agencia da ONU para Refugiados, estes dados revelam que o Brasil vive uma intensificação de um fluxo misto de migração, uma vez que boa parte destes imigrantes que pedem refúgio aqui deixam seus países não em razão de conflitos, mas por causas econômicas.

Mudanças

Reportagem da CBN datada do 26/11 traz alguns exemplos. O nigeriano Beruck Nwabasili está no Brasil há 35 anos. Quando chegou aqui, no final da década de 1970, encontrou gente de Angola, Senegal e Guiné Bissau, todos fazendo intercâmbio na Universidade de São Paulo.

Segundo ele, este grupo de estudantes, depois de formado, ajudou a difundir a imagem do Brasil na África.

As mudanças econômicas do Brasil acarretaram também uma alteração no perfil migratório. A chegada do real, em 1994, fez com que os preços dos produtos brasileiros deixassem de ser atrativos para este grupo de empresários, que preferiu procurar alternativas na China e Alemanha.

Uma década depois, porém, a ascensão do país no cenário internacional fez com que o Brasil se tornasse uma nova terra prometida.

Tanzânia, Camarões, Serra Leoa: gente de todas essas localidades começou a aportar por aqui. Muitos como Janko Dabo, que veio do Gâmbia, encararam viagens longas e sofridas.

O gambiano sabia o caminho que tinha pela frente. No entanto, no ônibus que tomou para chegar a São Paulo, viu muitos conterrâneos que passaram pela mesma viagem de forma inadvertida.

Enganados

Acontece que parte destes imigrantes pagam agentes que prometem conseguir visto e passagem aérea para que eles possam trabalhar nos Estados Unidos. Contudo, esses agentes alegam que antes de chegar aos Estados unidos, farão uma escala no Brasil. Só que ao desembarcar em nosso país, os imigrantes descobrem que, na verdade, este era o destino final e ficam abandonados por aqui.

Uma alternativa é fazer o pedido como refugiado, o que lhes dá direito tirar o CPF e a Carteira de Trabalho.

A reportagem analisa que “o problema é que se não encontram maneiras de se regularizar no Brasil, acabam se tornando alvos fáceis para o aliciamento pelo tráfico de entorpecentes”.

E a reportagem de informar que “dos 3.284 presos estrangeiros que cumprem pena no Brasil, 987 vieram do continente Africano”. Porém, embora os números estejam certos, há de destacar que a maioria absoluta dos presos (tanto africanos como de outras origens) não são nem imigrantes nem residentes no Brasil. A maioria é composta por ‘mulas’ que entram no país como turistas para uma curta temporada ou se encontram no Brasil em trânsito. Não há espaço, portanto, para esse tipo de amálgama.

(Redação + Agências)



Categorias:imigrantes

%d blogueiros gostam disto: