NACIONALIZANDO O DEBATE

AC deve enviar mais de mil imigrantes para SP e RS até julho de 2015.

O governo do Acre deverá enviar, em ônibus fretados, mais de mil imigrantes haitianos para os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul até julho de 2015. No último dia 18 de novembro, foi publicado no Diário Oficial do Acre, um contrato firmado entre a Secretaria de Desenvolvimento Social do estado (SEDS) e uma empresa para fazer esse transporte.

De acordo com o contrato, serão 16 viagens para São Paulo e oito para Porto Alegre. O custo total da operação, que inclui transporte e alimentação, é de R$ 1.153.107,20. Segundo a SEDS, esse recurso é proveniente do Ministério da Justiça já para este fim.

“Fechamos um convênio com o Ministério da Justiça, que nos orientou a colocar no plano de trabalho, não somente embarques para São Paulo, mas também para Porto Alegre e Cuiabá”, explica o secretário de Desenvolvimento Social do Acre, Antônio Torres.

De acordo com o Diário Oficial, o convênio tem validade até o dia 7 de julho de 2015. O secretário, no entanto, acredita que as viagens sejam concluídas antes disso e diz que serão realizadas novas conversas com o Ministério da Justiça para adquirir recursos para bancar novas viagens.

“Vamos voltar a dialogar com o Ministério da Justiça para saber se vai manter a política [de financiar as viagens] para a gente poder aportar mais recursos e dar continuidade ao serviço”, explica.

Polêmica

O governo do Rio Grande do Sul criticou o governo do Acre, que teria enviado imigrantes para Porto Alegre sem comunicar as autoridades locais. Torres nega a acusação e diz ter seguido a orientação do Ministério da Justiça de informar os estados para onde os imigrantes estão sendo levados.

“Estranhei quando soube da reclamação do governo do RS, porque falei pessoalmente com a equipe da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos daquele estado e eles disseram estar cientes de que o estado do Acre iria enviar os imigrantes para Porto Alegre e pediram uma previsão para que eles pudessem se organizar”, afirma. Segundo ele, esse contato teria sido feito na sexta-feira (21).

O secretário diz ainda que começará a mandar a relação dos imigrantes que estão embarcando para a localidade.

Envio

A política de enviar os imigrantes para outros estados começou em abril de 2014. Na ocasião, o estado estava isolado por conta da enchente histórica do Rio Madeira, em Rondônia. Sem poder deixar o estado, os imigrantes que chegavam começaram a lotar o abrigo montado pelo governo do estado no município de Brasiléia, distante 232 km da capital Rio Branco.

Os imigrantes, então, foram transferidos para um novo abrigo na capital do Acre, Rio Branco, e o governo passou a enviá-los para o estado de São Paulo. Na época, o governo paulista também acusou o governo acreano de ‘despejar’ haitianos sem aviso prévio.

Torres diz que, após a enchente, o governo optou em dar continuidade ao transporte. “Porque assim nós não deixávamos de acolhê-los, nem de dar oportunidade para que eles fossem em busca de trabalho”, enfatiza.

Ele estima que mais de quatro mil estrangeiros já foram enviados pelo Acre para outros estados dessa forma e diz que caso o governo não tivesse tomado essa medida, a tendência é que houvesse acúmulo de imigrantes no estado.

Atualmente uma média de 80 imigrantes chegam todos os dias ao Brasil pela fronteira do Acre com o Peru. A maioria continua vindo do Haiti, Senegal e República Dominicana. Segundo o secretário, o Acre funciona apenas como “porta de entrada” dessas pessoas que buscam alcançar os estados das regiões Sul e Sudeste do país atrás de emprego.

“Vale ressaltar que os imigrantes são consultados sobre a localidade para onde eles querem ir”, afirma.

Yuri Marcel
(editado)

(G1 – 28/11/2014)

 



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