AS NOVAS VOZES DA IMIGRAÇÃO AFRICANA

Senegalês relata as dificuldades e as realizações dos imigrantes no Brasil. 

Numa entrevista realizada por Roseli Lara, da Rádio Migrantes, no dia 12 de dezembro, o senegalês Mamur Ndiaye, que mora em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, com a esposa e a filha, lembrou que os imigrantes africanos continuam ajudando no desenvolvimento do Brasil e que a imigração africana para o país não é uma novidade, mas tem se intensificado muito nos últimos anos.

Mamur Ndiaye chegou ao Brasil em 2009 e sua esposa em 2010. O casal tem uma filhinha de 3 anos – brasileira. A língua oficial do Senegal é o francês, embora várias outras línguas sejam faladas no país. Cerca de 94% da população é muçulmana.

Ndiaye falou na rádio Migrantes sobre a situação dos imigrantes senegaleses no estado do Rio Grande do Sul. Mamur iniciou a sua fala informando que se regularizou em 2009 e, assim, conseguiu trazer a sua esposa.

À pergunta sobre o trabalho no Brasil, se é o que ele esperava, ele respondeu que não, explicou que quando alguém sai do seu país de origem para outro, viaja com um pensamento muito grande, com uma força de vontade muito grande para ajudar a família, melhorar as coisas e melhorar a vida.

Mas, lembrou ele, todos os países do mundo estão passando por dificuldades no momento. Não dá para se queixar tanto, porque, pelo menos, os imigrantes estão conseguindo ajudar a família que ficou na África com o pouco que estão ganhando aqui.

Ao ser perguntado de ele realmente consegue mandar dinheiro para a família, ele afirmou que isto se deve à sua cultura que ensina a dividir o pouco que se tem com a família que fica em seu país de origem.

Roseli lembrou que vem se discutindo há alguns anos, com o aumento da imigração no Brasil e com o caso dos haitianos que precisam mandar o dinheiro para casa devido à situação no pais caribenho, a questão da tributação das remessas.

Mamur que, como todo imigrante, acompanha essa questão de perto, afirmou que a tributação é muito alta mesmo e que dificulta os projetos dos imigrantes, mas que mesmo assim, independente da porcentagem cobrada, eles não tem outra opção; a não ser trabalhar para poder mandam dinheiro e ajudar suas famílias.

A radialista afirmou, a este propósito, que os imigrantes são um exemplo de luta para todos e comentou que Mamur também atua na esfera política, ao exemplo de sua participação em uma reunião em Brasília sobre refugiados junto com uma vereadora.

Mamur explicou que a vereadora que o acompanhou é do Rio Grande do Sul. Ela trabalha voluntariamente para ajudar os imigrantes, mas não é fácil trabalhar para a causa dos imigrantes. Não é possível saber o que vai acontecer no futuro, porque, segundo ele, assim como alguns segmentos da sociedade são favoráveis à integração dos imigrantes, outros são contra. Realidade que, para o imigrante, também dá vontade e força para lutar e não desistir.

Roseli indagou, justamente, sobre a luta dos senegaleses na região de Caxias e ele disse que desde 2010 está acompanhando esse trabalho. Ela quis saber se esse fato está se resolvendo e ele contou que é uma situação muito difícil, mas que eles estão conseguindo algumas coisas boas.

Disse ainda que acha que a imigração dos africanos no Brasil parece nova para os brasileiros e que a chegada de milhões de pessoas é realmente nova, mas a vinda de imigrantes da África para o Brasil é muito antiga, afirmou que as pessoas se esqueceram disso, se esqueceram que os africanos ajudaram o Brasil no passado.

A radialista comentou que os imigrantes africanos continuam ajudando o país atualmente e Mumar concordou, afirmando que, no ano de 2014, registraram mais de 2000 carteiras assinadas e que eles estão pagando direitos para o governo brasileiro, inclusive ele mesmo.

Segundo o senegalês, os imigrantes estão ajudando o Brasil a crescer e estão tendo essa possibilidade de ajudar porque no Rio Grande do Sul, por exemplo, está faltando mão de obra. Disse também que as empresas do Rio Grande do Sul o procuram em busca de pessoas para trabalhar e até no momento da entrevista estava recebendo mensagem de uma pessoa precisando de gente para trabalhar, a qual, segundo Mamur, seria ajudada por ele e seus amigos quando voltasse para casa. Mamur reforçou que os contratantes estão pagando para as pessoas com carteira assinada e está tudo legalizado.

A apresentadora inquiriu, então, se ninguém vai estar tirando trabalho de ninguém nessa situação e o entrevistado assegurou que está “brigando com isso”. Ele relatou que até levou esse assunto para a prefeitura de Passo Fundo, disse que os imigrantes não estão no Brasil para tirar empregos dos brasileiros, estão trabalhando no serviço que está sobrando em determinadas regiões. E informou que no cine de Passo Fundo, por exemplo, tem vaga disponível, informação que ele sabe porque está realmente acompanhando o que está acontecendo nesse meio. Afirmou também que, apesar de tudo que foi dito, as pessoas falam que os estrangeiros estão tirando os trabalhos dos brasileiros mesmo.

Roseli Lara finalizou a entrevista dizendo que esse pensamento sobre os estrangeiros estarem prejudicando o trabalho de brasileiros tem que acabar, que ninguém tira o Sol de ninguém. E, inclusive, tem empresas brasileiras na África ganhando muito dinheiro. Mamur Ndiaye completou a fala de Lara com a afirmação de que ninguém tira nada de ninguém. E afirmou, no encerramento da entrevista, que a imigração dos africanos e haitianos é muito difícil e eles passam por diversos problemas porque ela é uma imigração negra, só por esse motivo. Concluiu que a imigração negra é diferente da imigração branca e que no Rio Grande do Sul, por exemplo, está cheio imigrantes brancos, como alemães e italianos.

Ouça a entrevista aqui.

Amanda Rezende



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