INTERNACIONALIZAÇÃO EM FOCO

Aumento de estrangeiros em sala faz escolas criarem turmas exclusivas em inglês.

A alemã Cathrin Reusch, de 24 anos, está fazendo seu segundo intercâmbio. O primeiro foi durante a graduação, quando, aluna da EBS Business School, da Alemanha, passou seis meses em Estocolmo, Suécia. Este ano, cursando mestrado na mesma universidade, escolheu o Brasil para completar sua formação. Mais especificamente o “Mestrado em administração” do Instituto Coppead/UFRJ.

— Nunca tinha vindo à América do Sul e não falava nada de português ou espanhol. Mas sempre vi o Brasil como um país interessante, com grande potencial, especialmente para estudantes de negócios. Além disso, a boa reputação do Coppead influenciou na minha escolha.

Casos como o de Cathrin se tornam cada vez mais comuns, já que tem crescido a procura de estrangeiros por cursos de graduação e pós em escolas brasileiras. Principalmente europeus.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, em 2013, foram concedidos 12.547 vistos para estudantes de fora; em 2012, 11.886; e, em 2011, 9.829. Em parte, devido ao cenário desfavorável para os jovens na Europa e à boa imagem do Brasil, diz Mônica Balanda, gerente de Relações Internacionais da Ebape/FGV:

— O Brasil tem aparecido de forma geralmente positiva na imprensa estrangeira. E o Rio tem demonstrado, principalmente com os grandes eventos esportivos, ter vocação para receber estrangeiros, além de escolas que são conceituadas internacionalmente.

Elaine Tavares, vice-diretora do Instituto Coppead de Administração/UFRJ, pensa igual:

— O Brasil tem cursos de padrão internacional e atrai profissionais interessados em se formar em um dos Brics. O país conquistou relevância no mercado mundial nos últimos anos, e o Rio de Janeiro é uma cidade muito atraente para alunos que procuram cursos de excelência e, ao mesmo tempo, qualidade de vida.

Demanda estrangeira

Consequentemente, este número cada vez maior de alunos estrangeiros fez com que as instituições privadas mudassem o perfil de seus cursos, criando turmas com aulas só em inglês.

A internacionalização ocupa posição de destaque no planejamento estratégico da Ebape/FGV, começando com o recrutamento de professores que tenham formação ou origem internacional, aliado a uma oferta significativa de cursos em inglês, como o de mestrado e doutorado em administração, os únicos oferecidos pela instituição inteiramente neste idioma.

— No nosso caso, a procura por parte de alunos estrangeiros vem aumentando consideravelmente desde 2009, quando passamos a adotar uma estratégia de internacionalização bastante dinâmica. No início, nós começamos com cerca de dez alunos por ano e, atualmente, temos cerca de 70 — explica Mônica, acrescentando que, nos dois cursos citados acima, o objetivo de fazer um programa todo em inglês é formar professores pesquisadores de ponta, tanto para atuar aqui como lá fora.

Já no mestrado de administração do Coppead, a mudança maior virá a partir do ano que vem, com poucas disciplinas em português — uns 20%. Para a turma de 2015, diz Elaine, 35 estrangeiros se inscreveram e 11 foram selecionados. Em fase de matrícula, a turma já tem nove estrangeiros e 41 brasileiros confirmados. Este ano, foram 12 interessados e seis aprovados.

— A internacionalização do programa começou há vários anos e, há cinco, o curso já recebe mais intercambistas do que envia alunos para o exterior. Mais da metade dos nossos alunos vai para universidades parceiras no exterior — acrescenta Elaine, lembrando que o Coppead recebe ainda cerca de cinco professores visitantes estrangeiros por ano. — O caminho da internacionalização foi traçado porque acreditamos na importância de formar gestores que estejam aptos a trabalhar em qualquer país.

Os cursos de educação executiva do Ibmec também são bem procurados por estrangeiros. Segundo o último levantamento feito pela instituição, em maio de 2014, para a Association of MBA’s (Amba), eram 16 alunos de outros países. Mas eles devem falar português para acompanhar as aulas. O Ibmec ainda não oferece curso totalmente ministrado em inglês, mas está avaliando a possibilidade de colocar como eletiva uma disciplina no idioma em todos os cursos.

Ione Luques

(Globo – 22/12/2014)



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