LIÇÃO DE CIDADANIA

Floripa oferece aos haitianos a oportunidade de concluir seus estudos .

Os haitianos que moram em Florianópolis e que ainda não terminaram o ensino fundamental poderão completar os estudos e aprender a língua portuguesa por meio de um curso oferecido pela Secretaria Municipal de Educação. O projeto Cidadão do Mundo tem parceria com a Fundação Vidal Ramos e a Associação de Haitianos em Florianópolis, a Kay Pa Nou, e deverá atender, inicialmente, a 25 alunos. Conforme a demanda, há a possibilidade de abrir duas turmas.

O curso, que será oferecido por meio do programa EJA (Educação de Jovens e Adultos). “A intenção é garantir a conclusão do ensino fundamental e também o acesso à língua portuguesa, já que muitos deles têm dificuldade em arrumar emprego aqui no Brasil por causa disso”, comenta o chefe do departamento EJA da Secretaria Municipal da Educação, Daniel Berger.

O idioma deverá ser estimulado por meio do próprio material de apoio que será ofertado aos haitianos, como apostilas e panfletos. O tempo de curso deverá variar de um a dois anos, conforme a escolaridade dos alunos que se inscreverem. As aulas serão oferecidas três vezes por semana. “No ano passado já tivemos uma turma de haitianos no EJA, mas foi em uma audiência pública que o município firmou esse compromisso oficialmente, visando acolher e integrar melhor esses estrangeiros à cidade, além de auxiliá-los no acesso aos serviços públicos” explica. Além da questão educacional, o projeto ainda inclui questões como a inclusão dos haitianos em programas sociais e culturais no município.

Nas aulas, além de incentivar a leitura e a escrita em língua portuguesa, também serão debatidos temas sobre os direitos dos imigrantes. “Há muitos haitianos que já começaram os estudos e não terminaram, outros que já terminaram, mas não têm a tradução oficial de seu diploma aqui. Queremos ver a situação em que se encontram e ajudar na maneira como for possível”, completa.

Busca por melhores empregos

O presidente da Associação Kay Pa Nou, Clarens Chery, acredita que o curso será bastante gratificante, já que vai ajudar os estrangeiros a se estabilizarem na região. “Sem a língua portuguesa, muitos que chegam aqui no Brasil não conseguem um trabalho adequado. Acabam se frustrando e procurando emprego em outros lugares. Sabendo o idioma, isso já vai ser mais fácil, vão poder terminar os estudos e até mesmo fazer um curso superior depois”, acentua.

Segundo ele, outra dificuldade encontrada pelos estrangeiros é em relação à tradução de seus próprios documentos. “Se não tiver um tradutor juramentado, o documento não vale nada no Brasil. Queremos mostrar que o povo haitiano é trabalhador, que quer continuar aqui, ter um bom emprego. Isso é bom até mesmo para a autoestima do haitiano”, completa Chery.

Estima-se que atualmente vivam cerca de 200 haitianos na Grande Florianópolis. As aulas serão gratuitas e realizadas no Instituto Vidal Ramos, que cedeu o espaço. O projeto também recebe o apoio do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria Geral de Justiça de Santa Catarina, que tem acompanhado a associação no projeto de integração.

Entidades já recebem matrículas

– O curso será iniciado dia 30 deste mês e atenderá somente aos haitianos que moram em Florianópolis (será exigido comprovante de residência). As matrículas serão feitas até o 27 de março, via telefone, nas entidades:

– CEPA (Conselho Estadual das Populações Afrodescendentes) – 3229-3719

– Secretaria Municipal da Educação – 3251-6102

– Compir (Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Social) – 3251-6224

– Coppir (Coordenadoria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial) – 3251-6266
Publicado em 16/03/15-10:00

(Notícias do Dia – 21/03/2015)



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