SEM DISCRIMINAÇÃO

Imigrantes reclamam que Correios estariam dando prioridade a brasileiros.

Ao menos 150 imigrantes, entre haitianos, senegaleses e dominicanos, iniciaram um tumulto em frente a agência dos Correios, localizada no centro de Rio Branco. Os estrangeiros exigiam mais rapidez na emissão do Cadastro de Pessoa Física (CPF), e reclamavam do atendimento prioritário que teria sido dado aos brasileiros, o que acabou gerando uma confusão.

Durante o tumulto, o haitiano Abraham Clenor, acabou se machucando e passou mal. Ele contou que veio em busca do documento para seguir viagem para o sul do país. Com o passaporte na mão, ele precisou aguardar o atendimento fora da fila que foi formada na garagem da agência. “Vim tirar meu CPF, estou com todos meus documentos aqui, mas passei mal. Estou esperando atendimento, mas demora”, reclamou.

De acordo com o gerente da agência dos Correios, Rosinildo Santana, a agitação ocorreu por problemas de comunicação. Por não haver ninguém na agência que falasse um dos idiomas dos imigrantes, foi preciso um esforço da equipe para atender a demanda. Como alguns brasileiros chegaram depois, mas iam receber atendimento para outros serviços, acabaram sendo atendidos antes.

“Diariamente atendemos de 200 a 250 imigrantes. O que eles querem é a emissão do CPF para legalizar o visto deles no Brasil. Após a emissão do CPF aqui, eles vão até a Receita Federal, para validar o documento. Eles têm dificuldade de comunicação e precisamos organizar uma fila aqui na garagem da agência, pois o prédio está passando por reformas e estamos em uma unidade provisória. Eles se organizaram em fila e vamos chamando de cinco em cinco pessoas. O tumulto aconteceu por problemas de comunicação, mas vamos atender todos”, finalizou.

Situação no Acre

De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Nilson Mourão, atualmente, existem em torno de 850 imigrantes no abrigo mantido pelo governo do Acre, em Rio Branco. Ele destaca que os serviços são oferecidos de forma cada vez mais precária e que o processo de transferência da gestão do abrigo para o governo federal está em andamento, mas que não há nenhuma data definida.

“Não vamos deixar de receber ou ajudar os imigrantes. Os serviços são precários, mas fazemos tudo que podemos. Estamos trabalhando o processo de transição através da Casa Civil com um técnico do Ministério da Justiça e foram iniciadas as discussões sobre como será feito esse processo. Mas é preciso destacar que não existe nenhuma data definida. Esse é um processo muito delicado e vamos continuar com os serviços no abrigo”, explicou.

Mourão destaca ainda que novos estrangeiros chegam ao Acre todos os dias através da fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital. De acordo com o governo do estado, desde 2010, mais de 32 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Quésia Melo

(G1 – 04/05/2015)



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