OS SÍRIOS DE BAGÉ

Refugiados de guerra, eles desejam criar os filhos em paz.

O casal Amal Karima Arteen e Artin Arteen viviam em Alepo, a segunda maior cidade da Síria, localizada ao norte, a 350 quilômetros da capital. Lá, estavam perto da família, Artin possuía dois salões de beleza e as três filhas, uma de 12, outra de 10 e a mais nova, de sete anos, eram criadas no país de origem. Porém, a guerra civil que eclodiu na Síria em 2011, fez eles repensarem sua vida. Foram para o Líbano, país vizinho, onde também têm família, há dois anos. Mas com os conflitos, eles queriam se afastar mais e vieram para o Brasil.

Amal conta: “Escolhemos o Brasil, pois foi o país que nos aceitou melhor. Para outros países, como na Europa, além da exigência de ter uma grande quantia em dinheiro, quando viam nosso passaporte da Síria, negavam a entrada. E no Brasil não, só precisávamos ter como vir e éramos bem-vindos”. O primeiro destino foi o Espírito Santo, onde foram acolhidos pela Igreja Irmãos Menonitas. Depois vieram para a Colônia Nova. “O pastor Helmuth Boschmann nos ajudou muito, ele e toda a família. Nós adoramos a Colônia Nova, mas não tínhamos como trabalhar lá, por isso viemos para Bagé para reconstruirmos nossa vida”, arremata.

Sempre sorridente e se esforçando para compreender e responder em português, Amal relembra de sua cidade. “Era um lugar muito bonito antes das bombas”, sentencia. Artin conta que do que eles tinham lá, não há mais nada, por causa da guerra. Sobre Bagé, Amal afirma que se sente muito bem recebida, inclusive conheceu outros árabes aqui, os quais estão sendo muito receptivos. As filhas do casal estão estudando e já falam português fluentemente. Já os pais estão aprendendo aos poucos, procurando pela internet programas que os ensine.

Diferenças e distância Na Síria, Amal não precisava trabalhar. Se dedicava a cuidar das filhas. No Brasil, fez alguns cursos de maquiagem, manicure, entre outros e vai trabalhar com o marido, no salão que inauguram hoje. Outra diferença que ela encontra aqui, é a comida. “O feijão é muito diferente. Não gostei muito. Então cozinho em casa a nossa culinária. Não encontramos todos os ingredientes, mas vou adaptando”, conta. O contato com a família não é tão constante. “Por causa da guerra, nossa cidade está sem internet. Quando falamos com nossos familiares, sentimos muito por estar longe e eles também, mas sabem que o Brasil é o melhor. Mas quando terminarem os conflitos, nós voltaremos e retomaremos nossa vida lá”, planeja Amal.

Fernanda Couto

(Minuano – 03/05/2015)

 



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