AJUDA BEM VINDA

Em funcionamento desde novembro de 2014, o Centro de Referência e Acolhida ao Imigrante em SP já atendeu mais de 2.300 estrangeiros.

No saguão de entrada do CRAI (Centro de Referência e Acolhida ao Imigrante), é possível notar a multiplicidade de idiomas. Sentados à espera de atendimento, dezenas de estrangeiros, de diversas nacionalidades, buscam auxílio com documentação, empregos e moradia. São na maioria recém-chegados ao país e enfrentam dificuldades com a língua portuguesa.

Localizado na rua Japurá, 191, Bela Vista, centro de SP, o CRAI funciona desde novembro de 2014 e já atendeu mais de 2.300 pessoas, de 74 nacionalidades. O serviço criado pela Prefeitura de SP auxilia os imigrantes com diversas demandas, desde procurar o paradeiro de parentes no Brasil até encontrar um abrigo para dormir.

“Chegamos aqui sem dinheiro e sem informações básicas. Sou o engenheiro eletromecânico e estou tentando revalidar meu diploma. Sem isso, não consigo emprego na área. É um processo muito complicado e sem a ajuda do CRAI não conseguiria”, afirma o congolês Gauthier Nduanga Kutema, 42 anos, no local desde o fim de 2015 junto com a mulher e a filha.

Assim como no caso de Gauthier, o CRAI oferece orientações profissionais, sobre onde estudar português ou buscar moradia. Com treinamento específico para os funcionários, o atendimento é realizado em diversos idiomas, como crioulo haitiano, francês, inglês e espanhol.

Como funciona

O serviço se divide em duas frentes. De um lado, funciona o trabalho de referência, que presta orientação jurídica, social e psicológica a qualquer imigrante que solicitar atendimento; do outro, em parceria com a Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), o local funciona com abrigo, recebendo os imigrantes em situação de vulnerabilidade. Um relatório social feito pelo Creas indica quem são os imigrantes que ocuparão os quartos do CRAI.

Em novembro de 2015, um novo abrigo – que funciona como o CRAI – localizado no Pari, também no centro de SP, começou a funcionar. A ação garantiu número maior de vagas e funcionários para receber os imigrantes. “Agora, são mais de 600 estrangeiros acolhidos com serviço especializado, criando possibilidades de inserção na sociedade brasileira”, afirma o coordenador de Políticas para Imigrantes de SP, Paulo Illes.

Na maior parte do dia, as camas do abrigo ficam vazias, e o CRAI parece vazio. No entanto, como a estadia no local é provisória, os imigrantes saem diariamente às ruas da capital paulista em busca de emprego.

O CRAI tem parcerias com centros de formação profissional, que oferecem cursos profissionalizantes. cuidador de idosos, serviço doméstico, cabeleireiros e construção civil são algumas das ocupações ensinadas.

A inserção dos imigrantes e moradia, afirma a coordenação de Política para Imigrantes, são os principais desafios a serem vencidos. Preconceitos, xenofobia e abusos cometidos por intermediários marcam esse processo de inclusão social.

“Nosso trabalho busca dar um ponto de referência para essas pessoas para que elas possam buscar em momentos de dificuldade. Estamos abertos e procuramos atender a todos na medida do possível. Os imigrantes já chegam no país com muitas dificuldades, mas, em algumas delas, podemos ajudar para que a experiência no Brasil não seja tão dura”, afirma Paulo Amâncio, coordenador do Centro de Referência.

As mulheres que residem no CRAI enfrentam dificuldade ainda maior. Muitas precisam equilibrar a busca por emprego com a atenção aos filhos que ficam no abrigo. Não há serviço de creche no local e os funcionários do CRAI se desdobram para ajudar as mães – a maior parte solteira – a buscar oportunidades no mercado de trabalho.

De acordo com a assistente social do CRAI Bela Vista, Camila Luchini, essa relação de solidariedade com os imigrantes acaba ultrapassando limites profissionais. Sobretudo, quando chega o momento de despedida.

“É difícil ter neutralidade em algumas situações, pois criamos vínculos com esses imigrantes que vem até aqui. A despedida é difícil, pois não temos certeza para onde eles vão. Já cheguei a pesquisar no Google Earth para ver como era local para onde eles estavam se mudando. A gratificação pelo trabalho é que, depois de algum tempo, muitos voltam aqui para agradecer”, afirma.

Dodô Calixto

(Opera Mundi – 09/02/2016)



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