MEMÓRIAS EM PROSA

Ficção e realidade contam história de sírio no Brasil.

Livro que mistura ficção e realidade, A casa síria conta a história de Merched, sírio que decide sair de seu país com a família para reconstruir sua vida no Brasil no início do século 20. Em um texto em prosa, mas com estilo poético, a autora Claudia Falluh Balduino Ferreira, divide com o leitor as memórias que ouviu de seu avô, o protagonista da história.

“O livro traz a saga dele desde a Síria. É uma ficção, apesar de ter dados reais. Conta a vida dele desde a infância até quando ele pega o navio para o Brasil com a mulher e dois filhos e o momento em que ele morre, sem nunca ter voltado à Síria”, explica Ferreira. No Brasil, Merched teve mais seis filhos e ganhou 16 netos.

A autora descreve lugares e lembranças da vida do avô, da fazenda onde ele vivia, de sua mãe, de seu pai. Segundo ela, a vinda ao Brasil mudou a percepção de Merched sobre o mundo, mas não mexeu com sua ligação com a Síria. “A Síria vai continuar sendo sua conexão com a infância, enquanto o Brasil é a terra da maturidade [da personagem]”, destaca.

A escritora é também a narradora do livro. Na obra, ela quase não aparece como personagem, mas usa de sua convivência com o avô para contar ao leitor o que se passou na vida de Merched e também de outros sírios que ele conheceu ao longo da vida e na viagem ao Brasil.

“É um relato memorial que mescla ficção e vivência na busca da verdade do passado, na compreensão do presente e no ajuste do futuro”, diz. Ela conta que Merched, de família cristã, saiu da Síria por sofrer perseguição religiosa. No Brasil, maior país católico do mundo, ele encontrou a liberdade plena, aponta a autora.

Merched saiu de sua cidade natal, Bassir, a 40 quilômetros ao sul de Damasco, chegando a terras brasileiras pelo Rio de Janeiro em 1926, mas não ficou somente por lá. Morou também no Rio Grande do Sul e em Goiás, onde morreu em 1974, aos 98 anos. “A história dele é muito impressionante”, diz Ferreira.

Na bagagem, Merched trouxe a saudade dos seus irmãos e de sua terra natal. “Ele colocava música árabe para tocar muito alto. Era um homem muito emocional”, completa a autora. Para ela, o livro é também uma homenagem à Síria, em um momento difícil que o país atravessa devido aos conflitos internos.

Aurea Santos

(ANBA – 07/02/2016)



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