EM BUSCA DE UMA VIDA MELHOR

Aumenta entrada de venezuelanos no Brasil por Roraima. Mais de trezentas pessoas do país vizinho já pediram refúgio no Brasil neste ano.

A crise político-econômica na Venezuela cruzou as fronteiras e chegou ao Brasil. Diariamente, dezenas de venezuelanos ultrapassam o limite entre os dois países, em busca de uma vida melhor no lado brasileiro. E Roraima é a porta de entrada dessas pessoas.

Na capital Boa Vista, eles podem ser encontrados às portas da Polícia Federal, em busca de documentos que os habilitem a permanecer no país.

Angeli Idalgo veio em busca de emprego. Ela reforça a situação difícil no país natal. “Do mesmo jeito que você olha no jornal, essas coisas, é assim mesmo. O jovem está saindo a cada dia na rua pra fazer protesto, porque não tem comida, inseguridade, essas coisas assim. Eu saí da venezuela com o propósito de chegar aqui e trabalhar. O único jeito é ficar aqui tranquilamente e pedir refúgio, pra ter a carteira de trabalho, essas coisas, e não ter problema nenhum”, diz Angeli.

Dados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça, mostram que de janeiro a maio deste ano já foram 338 pedidos de refúgio de venezuelanos. Mas esta é apenas uma das formas de o estrangeiro entrar no Brasil, como explica o superintendente em exercício da Polícia Federal em Roraima, Alan Robson Ramos. “Há múltiplas condições do estrangeiro entrar no Brasil. O mais comum é o turista. O refúgio é mais uma possibilidade. Tem o exilado, tem o trabalhador, tem o esportista agora nas olimpíadas. E o irregular entra sem se apresentar à polícia, em Boa Vista você vê nos sinais pedindo esmola, e a polícia federal faz seu trabalho também que é a deportação desses estrangeiros que são flagrados irregulares no Brasil”, explica Alan.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Antônio Jorge Ramalho, revela que tem observado a chegada desses estrangeiros pelos jornais. Mas ele explica que a situação da maioria dos Venezuelanos é de migração econômica e não de refúgio. “Ali você não tem pessoas buscando refúgio. Você tem pessoas que estão buscando uma vida melhor. São pessoas que deixam seu país em busca de um emprego, de uma fonte de renda mais segura, inclusive pra fazer remessa para seus familiares. A Venezuela passa por uma crise muitíssimo mais profunda e grave do que a nossa crise econômica e naturalmente as pessoas vão buscar oportunidades nos países vizinhos”, conta Antônio.

(EBC – 20/06/2016)



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