[Clipping] 73ª Reunião da ONU: Como a questão migratória foi abordada?

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Abertura da Assembleia Geral da ONU, realizada terça-feira (25/09) – Foto: Cesar Itiberê/PR

No último dia 25 de setembro ocorreu em Nova Iorque, Estados Unidos, a 73ª reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). Michel Temer, como presidente do Brasil, seguiu a tradição criada em 1949 de abrir as sessões de debates, imediatamente sucedido pelo presidente Donald Trump, como Chefe de Estado do país anfitrião.

Outros assuntos foram postos em voga, como as questões sobre o desenvolvimento sustentável, tal como apontam as considerações sobre o evento feitas pelo site do Planalto. No que diz respeito à pauta migratória e a situação dos refugiados, Temer defendeu, principalmente, uma maior integração entre os países, criticando as políticas e posturas isolacionistas que alguns países têm apresentado, defendendo o multilateralismo, como cita a reportagem do G1.

“O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso”, disse Temer.

O presidente fez ainda uma espécie de apelo para uma reformulação do Conselho de Segurança atual, já que o existente não parece suprir o que vivenciamos nos dias de hoje. Temer, conforme informou o Planalto, afirma que “precisamos de reformas importantes. Entre elas, a do Conselho de Segurança que, como está, reflete um mundo que já não existe mais”. Em seu discurso, também reafirmou que a segurança poderá ser melhorada a nível mundial com uma ação conjunta entre os integrantes da ONU, citando como exemplo o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, assinado em 2017.

Ainda sobre a pauta do acolhimento aos refugiados, entendendo o Brasil como um país que se mantém aberto e receptivo aos que sua ajuda buscam, Temer descreve, como pontua a reportagem da Folha de São Paulo do próprio dia 25/09, sobre os esforços do governo federal para receber e integrar à sociedade cerca de 55 mil venezuelanos que estão em solo brasileiro. Embora o jornal tenha mostrado esforços do governo, também foi fechado um acordo entre a governadora Suely Campos com Nicolás Maduro (o “ditador” venezuelano, como a Folha se refere na matéria) para a “devolução” destes refugiados ao seu país de origem.

A mesma reportagem da Folha compara as falas do presidente brasileiro com as de Donald Trump, entendendo que mesmo que os teores sejam contrários, acabaram baseando-se em um autoelogio que não parece condizer bem com a realidade vivida nos países. O presidente estadunidense reforçou sua posição contrária ao proposto por Temer, indo de encontro a uma postura nacionalista e isolacionista. Trump foi bem categórico ao dizer “rejeitamos a ideologia do globalismo e abraçamos a doutrina do patriotismo”, além de ter chamado o Conselho de Direitos Humanos da ONU de “uma vergonha”, acrescentando que o Tribunal Penal Internacional não possui “legitimidade, nem autoridade”.

O presidente norte-americano, também, fez questão de rejeitar o “Pacto Global de Migração”, reforçando que todos os países possuem o direito a uma política migratória própria, levando em consideração interesses internos. Sua solução para os problemas dos refugiados é que cada um fique em sua casa, levando seu slogan de campanha “Let’s make America great again” até as últimas consequências, deixando claro que quaisquer ajudas dadas a países mais pobres deveriam funcionar na base do escambo, não da cortesia. “A única solução de longo prazo para a crise da migração é ajudar as pessoas a construir futuros melhores em seus países de origem: fazer seus países grandiosos de novo”, diz.

Mayra Bragança, sob supervisão de Otávio Ávila



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