O coletivo temático Imobilidades, Saúde e Democracia no Brasil, composto por Gabriel de Almeida Belmonte (IMS-UER; MARC-URV), Iago Marafina de Oliveira (IMS-UERJ), Julianna Dale Coutinho (UNESP) e Catalina Revollo Pardo (Psicologia-UFRR; EICOS-UFRJ; DISPOTICS), convida a comunidade dos estudos migratórios a compor o XV Seminário de Pesquisa do IMS, através do coletivo temático Imobilidades, saúde e democracia no Brasil, a ser realizado entre os dias 24, 25 e 26 de novembro de 2026, de forma presencial na UERJ. O envio do resumo deve ser realizado até o dia 12 de outubro. 

O grupo é coordenado por

RESUMO: A migração para o Brasil intensificou-se desde 2018, com crescimento de 70% da população nascida no exterior entre 2010-2022¹. Dados recentes estimam cerca de 2 milhões de migrantes no país, correspondendo a aproximadamente 1% da população brasileira e evidenciando a relevância da mobilidade humana no contexto nacional². Em âmbito global, o fenômeno se amplia, alcançando, em 2025, 41,6 milhões de refugiados e 68,7 milhões de pessoas deslocadas internamente³. Diante desse cenário, propomos refletir sobre as relações entre migração, (i)mobilidades, democracia e saúde coletiva. Se, por um lado, a migração é compreendida como movimento, por outro, as trajetórias de pessoas migrantes, refugiadas e apátridas são marcadas por entraves, esperas, interrupções, confinamentos e impedimentos à circulação. A imobilidade constitui um fator relevante nos processos migratórios, atravessados por desigualdades e iniquidades que incidem sobre a produção da saúde e seus determinantes sociais. Marcadores da diferença, como cultura, língua, raça, cor, etnia, gênero, sexualidade e classe social, articulam-se a práticas de discriminação, racismo e xenofobia, expressões de violências sociais e políticas. Nesse contexto, destacam-se as gramáticas de resistência, compreendidas como linhas de fuga que produzem movimento e invenção na construção de formas de cuidado e saúde. Convidamos pesquisadoras e pesquisadores ao debate sobre regimes de (i)mobilidade que produzem vulnerabilidades e agenciamentos. Interessa-nos discutir como políticas migratórias, fronteiras, sistemas de saúde e instituições, práticas comunitárias e institucionais, reconhecem ou desconhecem, (des)legitimam, negam, promovem ou intervêm sobre os mandatos e direitos de pessoas em contextos migratórios. Buscamos reunir perspectivas que tensionem categorias estabelecidas e contribuam para repensar a saúde coletiva a partir das experiências daqueles que se deslocam, esperam ou são impedidos de seguir, bem como daqueles que desenvolvem estratégias de produção de saúde e cuidado. Pretendemos fomentar um diálogo interdisciplinar sobre democracia, justiça e direito à saúde.

PALAVRAS-CHAVE:  migração; determinação social da saúde; mobilidade; resistência; agenciamentos. 

REFERÊNCIAS: 

¹IBGE 2025 – IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo

Demográfico 2022: fecundidade e migração: resultados preliminares da amostra. Rio de

Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 10 jan. 2026.

²Obmigra 2023 – CAVALCANTI, Leonardo; OLIVEIRA, Tadeu; SILVA, Sidney L. Relatório Anual. OBMigra 10 anos: pesquisa, dados e contribuições para políticas.

Brasília, DF: OBMigra, 2023.

³UNHCR, 2026. Global Trends 2025Disponível em: https://www.unhcr.org/global-trends. Acesso em: 24 ago. 2026.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR MIGRATION (IOM). Annual report 2025. Geneva: IOM, 2026. Disponível em: relatório anual da OIM 2025. Acesso em: 24 ago. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES (OIM). Relatório do OBMigra aponta 2 milhões de migrantes no Brasil e destaca desafios de integração. Brasília, DF: OIM Brasil, 2026. Disponível em: OIM Brasil — relatório do OBMigra. Acesso em: 24 ago. 2026.

Modalidades de trabalhos: Relato de pesquisa, Relato de experiência e Experiência artística. 

Estrutura do resumo: título de até 170 caracteres, texto do resumo entre 250 e 500 palavras, 3 a 5 palavras-chaves, 3 a 5 referências. 

O evento é aberto e gratuito a estudantes de graduação e pós-graduação, docentes, pesquisadores(as), profissionais da saúde, integrantes de movimentos sociais, membros da sociedade civil e demais pessoas interessadas nas temáticas do seminário.

Confira as normas completas de submissão na 3ª Circular e no site do evento. Caso haja dúvidas, entre em contato via  seminariodepesquisadoims@gmail.com. 

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