OS ÁRABES E A 25

Concurso de cinema tem 30 inscritos e irá premiar os melhores curtas que retratam a imigração árabe na região central de São Paulo. 

A primeira etapa do concurso de cinema Os árabes e a 25 de Março foi encerrada em 05 de janeiro e teve 30 projetos inscritos. Os filmes, todos curtas-metragens, poderiam ser feitos na forma de animação, ficção, documentário, desde que atendessem ao tema proposto. Houve inscritos até do interior e do litoral paulistas. Agora, o júri formado por cinco pessoas irá assistir aos filmes e escolher os melhores. O concurso de cinema é organizado em parceria entre a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e o Instituto de Cultura Árabe (Icarabe).

Ele foi criado para que, por meio do cinema, seja recuperada uma parte da história da imigração árabe na região da Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo. Os vencedores receberão prêmios em dinheiro e os filmes irão compor parte do acervo da região.

Diretora de Cultura da Câmara Árabe, Silvia Antibas afirma que a meta do concurso já foi atingida, pois o objetivo é recuperar a história da região.

“A ideia de recuperar essa história, fundamental para a imigração árabe no Brasil, sob diferentes pontos de vista, e disponibilizá-la a todos, já foi cumprida. Independentemente da qualidade técnica dos curtas, o que importa é o registro e a preservação dessa memória”, afirmou Antibas à ANBA.

Os jurados irão assistir a todos os filmes. Em 05 de fevereiro, eles irão se reunir e escolher aqueles que consideram os melhores. Nesta seleção já deverá ser eleito o melhor filme na avaliação do júri. Além disso, os finalistas serão escolhidos para ser exibidos em salas de cinema da região metropolitana de São Paulo. Os espectadores irão votar naquele que acharem melhor.

O júri é formado por Silvia Antibas, pelo diretor cultural do Icarabe, Geraldo Adriano Godoy de Campos, e pelos cineastas Otávio Cury, José Roberto Sadek e Lina Chamie.

Registro histórico

A região da Rua 25 de Março recebeu, no fim do século 19 e começo do século 20, imigrantes sírios e libaneses. Ali, eles criaram seus comércios, na maioria lojas de tecidos, e passaram a viver. Hoje, muitos dos negócios são administrados por filhos e netos dos fundadores. Há, contudo, poucos registros dessa história. A realização do concurso é uma forma de incentivar o resgate da imigração na região e formar este acervo.

O nome da Rua 25 de Março é uma referência à data em que o imperador Dom Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, em 1824. A data de 25 de março também representa, simbolicamente, a chegada dos imigrantes árabes no Brasil. Hoje, a rua e vias das redondezas, como Ladeira Porto Geral, Rua Barão de Duprat, Rua Florêncio de Abreu e Rua Comendador Abdo Schahin, são conhecidas pelo comércio popular, uma vocação da região.

Antibas afirmou que, independentemente de quem tenha feito o melhor filme, já considera todos os inscritos como vencedores. “Não sei quem serão os premiados, mas considero todos ganhadores, já que contribuíram generosamente nesse projeto com suas ideias, criatividade e trabalho”, afirmou a diretora da Câmara Árabe.

Marcos Carrieri

(ANBA – 25/01/2015)



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